União Europeia estuda acordo com Turquia sobre fluxo de imigrantes
Presidente do bloco apresentou proposta aos líderes europeus nesta quinta-feira (15/10). UE disponibilizaria 500 milhões de euros e estados membros arcariam com o restante

Os líderes da União Europeia (UE) endossaram na quinta-feira (15/10) as linhas gerais de um acordo com a Turquia para conter o fluxo de imigrantes que chegam ao continente europeu, mas afirmaram que precisam de mais tempo para decidir quanta ajuda enviarão para a Turquia em troca.
Qualquer acordo final também compromete a UE a avançar nos trâmites de facilitar as regras de visto para a Turquia e impulsionar as negociações com o país sobre seu acesso ao bloco. Mas os líderes da UE não ofereceram garantias concretas sobre os dois processos.
Líderes
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou em uma coletiva de imprensa após o encontro entre os líderes que a contribuição da Europa deverá ser de “aproximadamente” 3 bilhões de euros. A ação ocorre, pois a Turquia gastou cerca 7 bilhões de euros nos últimos anos para acomodar cerca de dois milhões de refugiados que fugiram do conflito na Síria, argumentou Merkel.
“O plano de ação é um grande passo” na direção certa, disse Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, que comanda a reunião dos líderes. “Ainda assim, como deixei claro desde o começo, um acordo com a Turquia só faz sentido se conter efetivamente o fluxo de refugiados”, comentou.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou a tentativa de acordo para os líderes da UE no final da quinta-feira (15). Entretanto, apenas 500 milhões de euros seriam dados pela UE – o resto teria de vir de estados membros. O plano também oferecia para a Turquia um número significativo de vantagens, o que parece enfrentar resistência por parte de líderes do bloco.
“Claro que tudo isso requer um acordo honesto com a Turquia. Esperamos que isso ocorra”, declarou o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, na saída da reunião. “A cooperação é necessária, pois assim podemos lidar com os grandes fluxos e perigos, mas, ao mesmo tempo, isso não pode significar que haverá qualquer recuo nas questões de soberania nacional”, declarou.
Um dos problemas com o abrandamento das regras de visto, de acordo com o presidente da França, François Hollande, é que a Turquia pode usar a medida de maneira errada e permitir que imigrantes que antes não poderiam, passem a poder viajar para a Europa. “A França, juntamente com outros países, estará muito atenta para que as condições combinadas sejam respeitadas”, declarou.


