UE se prepara para calamidades e vai estocar bens essenciais

Bloco quer armazenar alimentos, água, combustível e remédios para o caso de crises como pandemias, desastres naturais ou conflitos

atualizado

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Thierry Monasse/ Imagens Getty
bandeiras da União Europeia tremulam ao vento em frente ao Berlaymont, a sede da Comissão da União Europeia
1 de 1 bandeiras da União Europeia tremulam ao vento em frente ao Berlaymont, a sede da Comissão da União Europeia - Foto: Thierry Monasse/ Imagens Getty

A União Europeia anunciou, nessa quarta-feira (9/7), um plano inédito na história do bloco para armazenar bens essenciais, como alimentos, água, combustível e medicamentos em caso de crises, como pandemias, desastres naturais, apagões, ameaças nucleares ou químicas e conflitos.

A “estratégia de estocagem” foi justificada diante de tensões geopolíticas crescentes, ataques híbridos e cibernéticos patrocinados por governos estrangeiros, tentativas de interferência estrangeira e mudanças climáticas.

A medida também é lançada em meio a alertas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de que a Rússia – que atualmente trava uma guerra contra a Ucrânia, às portas da UE – poderia estar pronta para atacar a aliança dentro de cinco anos.

O bloco, que reúne 27 países, também está investindo maciçamente para ampliar suas capacidades militares até 2030.

A Rússia faz fronteira com Noruega, Finlândia e Estônia, ao norte, e com Lituânia e Polônia, vizinhas do exclave russo de Kaliningrado. Com exceção da Noruega, que não faz parte da UE, mas da Otan, os demais países são membros tanto de uma quanto da outra.

Por que Kaliningrado é tão estratégico para a Rússia

“A meta é muito simples: fazer com que todos os bens essenciais que mantêm nossas sociedades funcionando, principalmente os que salvam vidas, estejam sempre disponíveis”, explicou a comissária de gerenciamento de crise da UE, Hadja Lahbib. “Quanto mais nos prepararmos, menos entraremos em pânico.”

O plano prevê a criação de uma rede entre países para coordenar, identificar vulnerabilidades e impulsionar os estoques “a nível de UE”.

Concretamente, também cita a necessidade de aquisição de produtos para purificação de água, geradores, equipamentos para reparo de cabos submarinos, drones e pontes móveis para uso em conflitos.

Alguns países já se preparam para o pior há mais tempo

O nível de preparo de cidadãos europeus para um cenário de crise varia significativamente de país para país. Alguns, como a Finlândia e a Estônia, preocupam-se há mais tempo com um eventual conflito.

“Claro, se você tem uma fronteira de mil quilômetros com a Rússia, você se sente potencialmente ameaçado por uma guerra”, disse Lahbib, ponderando que esse não é o único cenário que preocupa europeus. “Na Espanha, eles acham que é mais provável terem incêndios florestais.”

Como parte desses esforços, a UE recomendou em março que cada residência tenha um “kit de sobrevivência” de três dias que inclua água, alimentos e lanternas para o caso de emergência.

O bloco também quer estar melhor preparado para um cenário de emergência de saúde pública como a pandemia de covid, quando houve escassez de máscaras medicinais e outros suprimentos médicos, além de vacinas.

Uma das ideias é desenvolver um sistema de monitoramento de esgoto capaz de agir como um sistema de alerta precoce para doenças infecciosas.

Leia mais em DW, parceira do Metrópoles.

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