UE enquadra Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista
Classificação, segundo a chefe da diplomacia da UE, é uma resposta aos “assassinatos em massa” no Irã durante a recente onda de protestos
atualizado
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A União Europeia (UE) decidiu incluir a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) na lista de organizações terroristas adotada pelo bloco. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (29/1). Além disso, 15 autoridades iranianas e seis organizações foram sancionadas pelo bloco europeu.
Tais ações, segundo a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, são uma resposta aos “assassinatos em massa” no Irã durante a recente onda de protestos no país. De acordo com ativistas de direitos humanos, mais de 6 mil pessoas já morreram durante as manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei e a crise econômica local. Teerã nega essa estimativa.
Em comunicado divulgado na rede social X, a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a classificação da IRGC como grupo terrorista devia ter acontecido “há muito tempo”.
“Terrorista é, de fato, como se chama um regime que esmaga com sangue os protestos do seu próprio povo”, diz trecho da mensagem.
Reação do Irã
Fundada após a revolução no país em 1979, que deu início ao governo dos aiatolás, a Guarda Revolucionária do Irã é um braço das Forças Armadas iranianas. Seu principal objetivo é defender o sistema islâmico em vigor no país. Estimativas apontam que a IRGC pode ter até 200 mil combatentes.
Após o anúncio da UE, o chanceler iraniano acusou a Europa de tentar inflamar a tensão no Irã. Em comunicado, Abbas Araghchi classificou a decisão como “grande erro estratégico”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã destaca que, em meio às ameaças de Donald Trump em intervir no país, diversas nações têm “tentado evitar a eclosão de uma guerra total na região”, mas “nenhuma delas é europeia”.
