Ucrânia fala em “paz duradoura” após 1ª reunião com EUA e Rússia
Negociador ucraniano, Rustem Umerov, diz que conversas com EUA e Rússia definem parâmetros para o fim da guerra, mas evita prever resultados
atualizado
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A primeira reunião realizada no modelo trilateral entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, realizada nesta sexta-feira (23/1) nos Emirados Árabes Unidos, teve como foco a construção de uma “paz digna e duradoura”, segundo principal negociador de Kiev, Rustem Umerov.
Em publicação nas redes sociais, após o término das conversas, Umerov afirmou que a reunião se concentrou nos “parâmetros para o fim da guerra da Rússia e na lógica subsequente do processo de negociação”, destacando ainda que a Ucrânia “aprecia a mediação dos Estados Unidos” no diálogo realizado em Abu Dhabi.
As conversas devem continuar neste sábado (24/1), quando novos integrantes da equipe ucraniana se juntarão às tratativas. Entre eles estão o chefe do Estado-Maior General, Andrii Hnatov, e o vice-chefe da Inteligência de Defesa, Vadym Skibitskyi.
“Estamos prontos para trabalhar em vários formatos, dependendo do rumo do diálogo”, afirmou Umerov.
Zelensky mantém cautela
Volodymyr Zelensky acompanhou as negociações à distância e adotou um tom cauteloso ao comentar o encontro. “Veremos como a conversa se desenrola hoje e amanhã e quais serão os resultados. Ainda é muito cedo para conclusões”, declarou.
Apesar da prudência, Zelensky reconheceu a relevância política do momento. “Já houve uma conversa importante, pois não havia reuniões nesse formato trilateral há muito tempo”, disse o presidente, ao ressaltar que a Ucrânia deixou claras suas posições aos interlocutores.
Do lado russo, a postura segue rígida
O assessor de Vladimir Putin, Yury Ushakov, afirmou não haver base para um acordo de longo prazo sem a resolução da questão territorial, reiterando que Moscou continuará a perseguir objetivos “no campo de batalha” enquanto as negociações não resultarem em concessões concretas.
Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território internacionalmente reconhecido como parte da Ucrânia, incluindo quase toda a região de Luhansk e áreas de Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
Moscou exige que Kiev reconheça oficialmente a perda desses territórios — condição rejeitada pelo governo ucraniano e considerada o principal entrave às negociações.
EUA na equação
As conversas em Abu Dhabi ocorrem em meio a uma intensificação dos esforços diplomáticos liderados pelos Estados Unidos.
Na quinta-feira (22/1), Steve Witkoff reuniu-se por mais de três horas com o presidente russo Vladimir Putin, em Moscou.
Donald Trump declarou acreditar que Zelensky estaria disposto a aceitar os termos de um acordo de paz, sem detalhar quais seriam esses parâmetros. A avaliação otimista, no entanto, contrasta com a leitura mais cautelosa de integrantes diretamente envolvidos nas tratativas.








