Zelensky valoriza diálogo com EUA e Rússia, mas evita conclusões
Volodymyr Zelensky diz que negociações trilaterais nos Emirados são relevantes, mas afirma ser cedo para avaliar avanços concretos
atualizado
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou, nesta sexta-feira (23/1), que vê com cautela, mas também com expectativa, as conversas trilaterais em andamento entre delegações da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia, realizadas nos Emirados Árabes Unidos.
“Veremos como a conversa se desenrola hoje e amanhã e quais serão os resultados”, disse. “Ainda é muito cedo para conclusões.”
Em pronunciamento, o líder ucraniano destacou a importância do diálogo — o primeiro nesse formato desde a invasão russa em larga escala, em 2022 —, mas evitou tirar conclusões antecipadas sobre possíveis avanços rumo ao fim da guerra.
Apesar de reconhecer o simbolismo do encontro, o presidente reforçou que é cedo para avaliar resultados concretos. “É necessário que não apenas o desejo ucraniano de pôr fim a esta guerra exista, mas que um desejo semelhante nasça de alguma forma na Rússia”, destacou.
A delegação ucraniana é liderada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, e inclui nomes centrais da cúpula política e militar do país, como o chefe da inteligência, Kyrylo Budanov, e o chefe do Estado-Maior General, Andrii Hnatov, que deve se juntar às conversas nos próximos dias.
Do lado russo, o grupo é chefiado pelo almirante Igor Kostyukov, diretor da inteligência militar, e composto apenas por representantes do Ministério da Defesa.
O assessor presidencial Yury Ushakov afirmou que, sem resolver a questão territorial, não há base para uma paz de longo prazo, reiterando que Moscou seguirá perseguindo seus objetivos “no campo de batalha”.
Territórios como entrave
- Atualmente, a Rússia ocupa cerca de 20% do território internacionalmente reconhecido como ucraniano, incluindo quase toda a região de Luhansk e partes de Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
- Moscou exige que Kiev abra mão oficialmente dessas áreas.
- A condição é rejeitada pelo governo ucraniano e segue como o principal impasse nas negociações.
As conversas em Abu Dhabi ocorrem em meio a uma nova maratona diplomática pela paz na Ucrânia.
Na quinta-feira (22/1), o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, reuniu-se por mais de três horas com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou.
Segundo o Kremlin, o encontro foi “substancial” e “franco”, embora autoridades russas tenham ressaltado que ainda há obstáculos significativos.
Witkoff alertou que as tratativas estariam concentradas em “uma única questão”, sinalizando que um acordo poderia estar ao alcance.
A leitura otimista do republicano, porém, contrasta com avaliações mais cautelosas de integrantes diretamente envolvidos nas negociações.










