Ucrânia: hospitais e áreas residenciais são alvo de novos bombardeios

Ataques ocorreram após promessa russa de diminuir atividades militares no país. Memorial do holocausto também foi atingido

atualizado 30/03/2022 12:26

André Marienko/UNIAN

Um prédio da Cruz Vermelha, o memorial do holocausto e uma área residencial foram alvo de bombardeios, atribuídos às tropas russas.

Nesta quarta-feira (30/3), mísseis atingiram o memorial do holocausto nos arredores de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia. As informações são do ministro do interior ucraniano, Anton Herashchenko.

Imagens mostram um prédio residencial atingido por um bombardeio na região de Donetsk, no leste da Ucrânia. A área é separatista pró-Russia.

A ombudsman da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, disse em uma rede social que os ocupantes de Mariupol miraram e acertaram um prédio do comitê internacional da Cruz Vermelha.

“O local tinha uma cruz vermelha pintada sobre um fundo branco, indicando que ali havia pessoas feridas, civis ou suprimentos humanitários”, explicou. Denisova não especificou quando o ataque ocorreu, se houve mortes ou se alguém ficou ferido.

“Até hoje, os únicos que atingiram construções e veículos marcados com a cruz vermelha foram as tropas de Hitler”, disse a ombudsman.

A comissária de direitos humanos do Parlamento da Ucrânia, Liudmila Denisova, acusou as tropas russas de dispararem um foguete contra uma escola infantil em Tchernihiv.

“Cautela”

Mesmo após receber promessa russa de reduzir “drasticamente” ataques a Kiev e Chernihiv, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que é preciso “cautela” nos próximos dias. O aceno da Rússia foi feito durante negociações diplomáticas que ocorrem nesta terça-feira (29/3) em Istambul, na Turquia.

Em pronunciamento, o líder ucraniano admitiu que a conversa na Turquia foi positiva, mas não apaga o risco de ataques russos.

“A situação não se tornou mais fácil”, declarou. Zelensky garantiu que não diminuirá o efetivo militar na capital, uma vez que ainda há risco significativo de ataques, e que o anúncio russo não significa o fim do conflito.

O presidente ucraniano reclamou de um bombardeio a Mykolaiv que matou 12 pessoas e deixou 33 feridas nesta terça-feira.

“Nenhum alvo militar foi atacado, e os moradores de Mykolaiv não representavam nenhuma ameaça para a Rússia”, criticou Zelensky.

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Pessimismo

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, demonstrou pessimismo em relação a um acordo e à promessa da Rússia de reduzir as operações militares em parte da Ucrânia.

“Vamos ver se eles seguem o que estão sugerindo. Vamos continuar atentos ao que está acontecendo”, resumiu, em Washington.

Seguindo a mesma linha que os norte-americanos, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ser julgado “por suas ações, não por suas palavras”.

“Portanto, não queremos ver nada menos do que uma retirada completa das forças russas do território ucraniano”, frisou.

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