EUA põe em dúvida cessar-fogo: “Brutalização continuada da Ucrânia”

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos induziu que há diferenças entre o que a Rússia diz e o que faz

atualizado 29/03/2022 13:23

Ron Przysucha/State Department

Após o anúncio de um cessar-fogo parcial na Ucrânia, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, colocou em dúvida o compromisso russo de reduzir os bombardeios.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos induziu que “há diferenças” entre o que o governo russo promete e o que efetivamente é feito.

“E o que a Rússia está fazendo é a brutalização continuada da Ucrânia e de seu povo, e isso continua enquanto falamos”, defendeu.

Seguindo a mesma linha que os norte-americanos, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ser julgado “por suas ações, não por suas palavras”.

“Portanto, não queremos ver nada menos do que uma retirada completa das forças russas do território ucraniano”, frisou.

Negociações

O país liderado pelo presidente Volodymyr Zelensky cedeu e admitiu que pode adotar um status de neutralidade sobre o ingresso na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Já a nação comandada por Vladimir Putin se comprometeu a diminuir os bombardeios.

Nesta terça-feira (29/3), negociadores se reuniram em Istambul, na Turquia. A quinta rodada de conversas foi a única, até então, a apresentar resultados práticos para o conflito.

O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, intermediu as negociações e comemorou o que chamou de “o maior progresso para um acordo de paz desde o início da guerra”. O conflito começou em 24 de fevereiro.

O negociador ucraniano, Mykhailo Podolyak, anunciou que a Ucrânia apresentou uma proposta para a Rússia de negociar politicamente o território da Crimeia, que foi invadido pelos russos em 2014. Ele condicionou as conversas a um cessar-fogo completo na região.

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Com o status neutro, a Ucrânia não pode se unir a alianças militares como a Otan nem hospedar bases militares em seu território.

Representantes ucranianos indicaram que houve avanços também para um encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.

Menos ataques

O vice-ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, garantiu que as tropas do país vão reduzir “radicalmente” os ataques em Kiev, capital ucraniana.

“No sentido de fortalecer a confiança mútua e criar condições necessárias para negociações futuras e alcançar o objetivo final de assinar um acordo, tomamos a decisão de reduzir radicalmente e por uma ampla margem as atividades militares nas direções de Kiev e Chernihiv”, destacou após a reuião.

A mudança já havia sido anunciada na última semana, quando a Rússia admitiu que focaria a atividade militar no Leste da Ucrânia, sobretudo na região separatista pró-Rússia de Donbass.

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