Ucrânia critica Comitê Olímpico por desclassificar atleta
Chanceler da Ucrânia se manifesta após Comitê Olímpico Internacional desclassificar atleta por homenagear mortos na guerra contra a Rússia
atualizado
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A Ucrânia criticou o Comitê Olímpico Internacional (COI) após a desclassificação do atleta Vladyslav Heraskevych nas provas de skeleton dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026. O governo acusou a entidade, nesta quinta-feira (12/2), de comprometer a própria reputação ao impedir o esportista de competir com um capacete em homenagem a atletas mortos na guerra contra a Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que a entidade “baniu não o atleta ucraniano, mas a própria reputação”. Segundo ele, o gesto de Heraskevych era uma homenagem a colegas mortos na guerra e não violava princípios éticos.
“O COI intimidou, desrespeitou e deu sermões ao nosso atleta sobre como deveria se calar. São os russos que devem ser banidos, não a homenagem às suas vítimas”, declarou o chanceler.
Ele também acusou a Rússia de ser o “maior abusador do esporte internacional” e afirmou que o país matou 650 atletas e treinadores ucranianos e danificou 800 instalações esportivas desde o início da invasão.
Entenda o caso
- A decisão foi confirmada ainda nesta quinta, via um comunicado, onde o COI afirmou que Heraskevych “não poderá participar” dos Jogos após se recusar a cumprir as diretrizes sobre expressão de atletas.
- Segundo a entidade, o ucraniano foi orientado a substituir o capacete por uma braçadeira preta, como medida excepcional, mas manteve sua posição.
- Conforme o comitê, a presidente da entidade, Kirsty Coventry, reuniu-se pessoalmente com o atleta para explicar as regras.
- Como não houve acordo, os juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) decidiram pela desclassificação com base no regulamento que proíbe equipamentos fora do padrão aprovado.
- O COI informou ainda que retirou a credencial olímpica do atleta “com pesar”.
Zelensky presta apoio
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também criticou a decisão. “O esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”, declarou.
Heraskevych havia participado dos treinos utilizando o chamado “capacete memorial”, que exibia imagens de atletas ucranianos mortos no conflito, como o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev.
Após a exclusão, o atleta afirmou que a decisão representa “o preço da nossa dignidade”.






