Ucrânia já condenou 239 pessoas por crimes de guerra
Ao todo, governo da Ucrânia estima que mais de 190 mil crimes de guerra foram cometidos desde o início do conflito com a Rússia, em 2022
atualizado
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Prestes a completar quatro anos, o conflito entre Rússia e Ucrânia já resultou na condenação de 239 pessoas por tribunais ucranianos, todas elas acusadas de cometer crimes de guerra.
Guerra na Ucrânia
- Caso uma solução diplomática não seja encontrada, a guerra entre Rússia e Ucrânia pode completar quatro anos no próximo dia 24 de fevereiro.
- A última rodada de negociações entre os dois países foi na última semana, com a mediação dos Estados Unidos. A reunião ocorreu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
- As primeiras negociações diretas entre Ucrânia e Rússia começaram em maio de 2025, após pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
- Mesmo com as conversas, houve poucos avanços significativos na paz entre os dois países.
- O plano de paz apresentado pelos EUA inclui propostas não-favoráveis para a Ucrânia. Entre elas, concessões territoriais à Rússia e a redução do Exército ucraniano. Tais pontos têm travado as negociações, já que Kiev os enxerga como inaceitáveis.
Segundo relatório obtido pelo Metrópoles, todos os condenados foram sentenciados com base no art. 438º do Código Penal da Ucrânia — legislação que trata sobre crimes de guerra cometidos em solo ucraniano. Do número de condenados, a maioria deles foram punidos por tratamento cruel contra a população civil.
Veja a lista completa de acusações, suspeitos e pessoas condenadas:
Além das pessoas que já passaram por julgamento, 1091 são consideradas suspeitas e 795 estão sendo acusadas de praticar crimes de guerra no contexto do conflito.
Outras 267 foram sentenciadas com base nos artigos 110 e 437 do código penal do país, que tratam sobre violações da integridade territorial e de planos e condução de uma guerra de agressão.
Grande parte dos suspeitos de tais crimes são deputados da Rússia. Ao todo, 419 parlamentares suspeitos de violar o art. 110º, cujo objetivo é punir aqueles que visem ou apoiem planos que buscam alterar as fronteiras da Ucrânia — como já aconteceu em 2014 após a invasão e anexação da Crimeia por parte de forças russas.
Ao todo, o governo ucraniano estima que mais de 190 mil crimes de guerra já foram cometidos por russos desde a invasão ao país. O número foi apresentado em novembro do último ano pelo procurador-geral adjunto da Ucrânia, Andriy Leshchenko, durante uma reunião com a Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o conflito no Leste Europeu.
Caso envolvendo crianças ucranianas
Durante conversa reservada com a imprensa, no fim de 2025, diplomatas da Embaixada da Ucrânia em Brasília foram diretos ao revelar um dos principais objetivos do país nas negociações de paz com a Rússia: garantir o retorno de crianças deportadas à força para o território russo.
Números do governo ucraniano apontam que 20 mil crianças ucranianas foram deportadas ou deslocadas à força desde 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão contra o país. Ao Metrópoles, fontes ligadas à diplomacia ucraniana afirmam que 1.943 já haviam sido devolvidas até o início deste ano.
O deslocamento forçado de crianças ucranianas — vistas por autoridades de Kiev como sequestro — é o motivo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Vladimir Putin, emitido em 2023.
Para a corte internacional, popularmente conhecida como Tribunal de Haia, o presidente da Rússia é “alegadamente responsável pelo crime de guerra de deportação ilegal de população (crianças) e da transferência ilegal de população (crianças) de áreas ocupadas da Ucrânia”.
Além de Putin, a Comissária Presidencial para os Direitos das Crianças na Federação Russa, Maria Alexeyevna Lvova-Belova, também é alvo de um pedido de prisão de Haia, acusada dos mesmos crimes.
Até o momento, porém, os mandados não foram cumpridos. Isso porque a execução depende da colaboração de países que reconhecem a jurisdição do TPI, que têm obrigações legais de prender e deportar alvos de acusações se eles estiverem presentes em seus territórios.
