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Mundo

Trump pensa em dar "sinal verde" para Síria agir contra o Hezbollah

Segundo Donald Trump, a Síria, liderada por Ahmed al-Sharaa, pode substituir Israel no combate ao Hezbollah no Líbano

15/07/2026 17:42, atualizado 15/07/2026 18:03
Divulgação/Syrian Arab News Agency
Imagem colorida mostra Donald Trump e presidente da Síria - Metrópoles

Donald Trump afirmou que a crise no Líbano, provocada por confrontos entre Israel e Hezbollah, pode ser resolvida pelo novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, a quem pensa dar “sinal verde” para substituir os israelenses no combate ao grupo. A declaração do líder dos Estados Unidos aconteceu nesta quarta-feira (15/7) para a Fox News.

Na entrevista Trump foi questionado pelo jornalista Trey Yingst se apoiava uma retirada de tropas israelenses do sul do Líbano. O presidente norte-americano se mostrou favorável a ideia, e disse que isso seria “bom” para Israel.


Quem é Ahmed al-Sharaa

  • Ahmed al-Sharaa é presidente da Síria desde dezembro de 2024, quando uma ofensiva de grupo paramilitares derrubou o governo de Bashar al-Assad.
  • Por anos al-Sharaa manteve ligações com grupos terroristas, como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda.
  • No início da década de 2000, o atual presidente da Síria se juntou à Al-Qaeda no Iraque, durante a guerra promovida pelos Estados Unidos no país. Neste período ele foi preso e enviado para o centro de detenção Camp Bucca, conhecido por ser o “berço” do ISIS.
  • Em meados de 2010, al-Sharaa foi enviado pelo então líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, para a Síria. Lá ele criou a Frente al-Nusra, filiada aos ISIS.
  • Alguns anos depois, o mandatário sírio rompeu com o ISIS e colocou seu grupo ao lado da Al-Qaeda. Em 2016, ele também decidiu cortar laços com a organização criada por Osama Bin Laden, e formou o Hayat Tahrir al-Sham (HTS).
  • Se apresentando como uma organização mais pragmática, o HTS foi responsável pela derrubada de Assad.
  • Ao assumir o poder, o líder interino sírio prometeu um governo menos truculento do que o anterior.
  • Por conta disso, al-Sharaa tem ganhado diversas sinalizações positivas da comunidade internacional, e se alinhado a países antes rivais da Síria, como os Estados Unidos.

Ao invés das Forças de Defesa de Israel (FDI), o mandatário dos EUA defendeu que o novo governo da Síria, liderado por Ahmed al-Sharaa, passe a atuar na região contra o Hezbollah. Segundo Trump, forças sírias poderiam ser mais “precisas” do que militares israelenses, alvos constantes de ataques contra salvos civis no Líbano.

“Ele [al-Sharaa] entraria e lidaria com o Hezbollah, e faria isso de uma maneira diferente, sem derrubar prédios”, disse Trump. “Eu estou pensando sobre isso [em dar sinal verde para a Síria agir]”.

No último mês, o presidente dos EUA já havia levantado a possibilidade de forças sírias se envolveram no Líbano. Durante a cúpula do G7 na França, Trump criticou a atuação do governo de Benjamin Netanyahu contra o Hezbollah após as FDI atacarem Beirute, e sugeriu a Síria como uma possível solução para o problema. 

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“Se Israel não consegue fazer o trabalho [lidar com o Hezbollah] sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo”, disse.

Dias depois, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, telefonou para o chanceler da Síria, Assad Hassan al-Shaibani. Na conversa, os dois discutiram a cooperação entre Beirute e Damasco, assim como as “agressões israelenses” contra o sul do Líbano, segundo a chancelaria síria. 

A possível mudança no Líbano aconteceu em meio ao impasse nas negociações sobre um possível acordo de paz na guerra entre Israel e Hezbollah. 

Na terça-feira (14/7) as negociações entre autoridades israelenses e libanesas foram retomadas em Roma, capital da Itália. O objetivo é implementar um acordo assinado em 26 de junho entre os dois países, que prevê, entre outros pontos, o desarmamento do Hezbollah e a retirada de tropas das FDI do Líbano.

O grupo libanês, que mantém forte atuação na sociedade e política do Líbano, não participa das discussões. O Hezbollah também rejeita o acordo firmado entre Beirute e Tel Aviv, e diz que não vai se desarmar.