Trump burla Justiça e reduz vacinas recomendadas para crianças
O presidente dos EUA ainda comparou a tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola com uma garrafa de refrigerante

Ao lado do secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova ordem executiva, nesta segunda-feira (10/8), que diminuiu a quantidade de vacinas infantis recomendadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Trata-se de uma tentativa de Trump de fazer valer “por fora” o que ele estabeleceu em janeiro deste ano, mas acabou sendo suspenso pela Justiça — prática semelhante ao que foi feito com o tarifaço e as políticas de imigração.
No começo deste ano, o presidente retirou seis doenças da lista de recomendação universal de vacinação infantil, fazendo com que o total de imunizações pediátricas de rotina padrão caísse de 17 para 11. Mas, em abril, o juiz federal Brian Murphy, de Boston, emitiu uma liminar bloqueando a decisão.
Com a nova ordem executiva, as seis vacinas voltam a não ser recomendadas de forma universal, com indicação apenas para grupos de alto risco ou por decisão médica. São elas: hepatite A, hepatite B, doença meningocócica, rotavírus, gripe e vírus sincicial respiratório (VSR).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Bastante letal”
Durante a assinatura na Casa Branca, Trump também afirmou que a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR) pode ser “bastante letal” se tomada em uma única dose. Ele defendeu que os três imunizantes sejam administrados separadamente para reduzir o que ele sugeriu ser um risco elevado de autismo — apesar da segurança, facilidade e menor custo de administrar as vacinas juntas.
“Queríamos que a vacina MMR fosse administrada em três doses separadas, em momentos diferentes. Juntas, as vacinas poderiam ser bastante letais, enquanto que separadamente, ao que parece, não são letais, apenas muito eficazes. Por isso, queremos que a MMR seja administrada em visitas separadas, em momentos diferentes”, alegou.
O presidente ainda comparou a vacina conjunta com uma garrafa de refrigerante, que seria despejada no corpo de uma criança pequena.
Os pais ainda poderão optar por dar aos seus filhos todas as vacinas, se assim o desejarem. “Existem alguns grupos que praticamente não têm problemas com o autismo e, sabe, tenho que dizer isto: são grupos que não são muito adeptos ao mundo das vacinas.”
“Com efeito imediato, meu governo reconhece como padrão ouro as recomendações de vacinação infantil para apenas 11 vacinas essenciais contra as doenças mais graves e perigosas, juntamente com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), que esperamos que seja separada”, finalizou.



