Sucesso do Al-Hilal é fruto de plano saudita para mudar imagem do país

Futebol tem sido usado pela Arábia Saudita como parte do plano Visão 2030, que tem como objetivo reposicionar o país no cenário global

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1 de 1 Imagem colorida mostra o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman - Metrópoles - Foto: Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

A heroica classificação do Al-Hilal na Copa do Mundo de Clubes FIFA é o resultado direto de um plano da Arábia Saudita que usa o futebol, e outros esportes, para promover o país ao redor do mundo e esconder críticas que recaem sobre o governo saudita.


Premiação milionária

  • Com uma premiação bilionária, a Copa do Mundo de Clubes da FIFA é dividida por fases, número de vitórias e de empates.
  • Cada um dos 32 clubes da competição recebeu US$ 15,2 milhões pela participação.
  • Na fase de grupos, os times receberam US$ 2 milhões por cada vitória, e US$ 1 milhão pelo empate.
  • Os times que se classificaram para as oitavas de final receberam uma premiação de US$ 7,5 milhões. Aqueles que, assim como o Al-Hilal, passaram para as oitavas ganham um adicional de US$ 13,125 milhões.
  • Quem se classificar para a semifinal do torneio vai receber US$ 21 milhões. O segundo colocado da competição ganhará US$ 30 milhões. O campeão recebe US$ 40 milhões.
  • Ao todo, o Al Hilal venceu uma vez e empatou dois jogos na fase de grupos. Somada a premiação por vitórias e empates, com a ida às oitavas e quartas de final do torneio, o time saudita faturou US$ 39,825 milhões. Mais de R$ 217 milhões em real brasileiro.

 

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Manchester City e Al Hilal fizeram um jogo animado na Copa do Mundo de Clubes
Haaland deixou a sua marca para o Manchester City
Clube desistiu da Supercopa da Arábia Saudita.
Momento em que Koulibaly faz gol para o Al Hilal
Equipe caiu nas quartas para o Fluminense.
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Equipe caiu nas quartas para o Fluminense.

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Manchester City e Al Hilal fizeram um jogo animado na Copa do Mundo de Clubes
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Manchester City e Al Hilal fizeram um jogo animado na Copa do Mundo de Clubes

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Haaland deixou a sua marca para o Manchester City
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Haaland deixou a sua marca para o Manchester City

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Clube desistiu da Supercopa da Arábia Saudita.
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Clube desistiu da Supercopa da Arábia Saudita.

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Momento em que Koulibaly faz gol para o Al Hilal
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Momento em que Koulibaly faz gol para o Al Hilal

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Ao lado do Al-Nassr, Al-Ittihad e Al-Ahli, o Al-Hilal foi comprado pelo governo saudita em 2023, como parte da estatização do futebol no país. Controlado pelo príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, o Fundo de Investimento Público (PIF) foi responsável por adquirir uma gorda fatia de 75% de cada um dos clubes, passando a operação dos mesmos para as mãos do Estado.

Naquele ano, o investimento no Al-Hilal em jogadores disparou, e atingiu a casa dos € 285,4 milhões — algo em torno de R$ 1,7 bilhões de reais na cotação atual. O atacante brasileiro Neymar Júnior foi a principal contratação do time saudita, e chegou ao clube por € 90 milhões (quase R$ 500 milhões de reais).

Com a vitória sobre o poderoso Manchester City de Guardiola, e a ida às quartas de final da competição, o Al-Hilal conquistou mais de US$ 39 milhões de reais em premiações até o momento. Dinheiro que, na teoria, retornará aos cofres sauditas por meio do PIF, e um valor que não cobre os cerca de US$ 1 bilhão investidos pelos sauditas na competição, também por meio do fundo estatal.

Visão 2030

Segundo o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, o PIF é, atualmente, um dos principais impulsionadores do crescimento econômico da Arábia Saudita.

Além do futebol, os investimentos via fundo também atingem outros esportes, por meio da organização de grandes eventos como etapas da Fórmula 1, o mundial de clubes de 2023 e a Copa do Mundo de 2034.

O fundo, que já injetou bilhões no futebol do país, é parte do plano Visão 2030 que tem um objetivo claro: reformular a economia saudita, ainda muito dependente do setor petrolífero, e mudar a percepção do país no exterior.

Para isso, analistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que o governo saudita tem utilizado uma prática chamada sportswashing, quando governos ou empresas usam esportes para melhorar suas imagens públicas ou desviar a atenção de questões negativas.

“Essa prática não é nova, e não foi iniciada pelos governos do Golfo. No Ocidente, empresas como a TotalEnergies e a Shell também promovem a prática”, explica o analista político e doutorando em Ciência Política pela Universidade de Salamanca, da Espanha, Paulo Cesar Rebello. “Com isso, o governo saudita não apenas populariza seu país, como transmite valores e visões sobre a região”.

Acusações contra o governo

Atualmente, o governo da Arábia Saudita, comandado por Mohammed Bin Salman, é acusado de estar envolvido em casos de violação de direitos humanos e repressão de críticos do reino.

Segundo o último relatório da Anistia Internacional, o governo saudita cometeu graves violações, como perseguição a opositores, discriminação contra mulheres e a poluição ambiental provocada pela produção de petróleo.

Esse cenário, ao menos momentaneamente, tem ficado em segundo plano devido as recentes conquistas do governo saudita, como a ida do Al-Hilal para as quartas de final da Copa do Mundo de Clubes FIFA.

“Violações de direitos humanos e participação nos conflitos regionais, como a guerra no Iêmen, são colocadas em segundo plano quando a propaganda governamental atinge seus objetivos. Para a Arábia Saudita, é fundamental flexibilizar sua imagem para garantir a visão de modernidade e competitividade nos níveis regional e internacional”, explica o analista político e doutorando em Ciência Política pela Universidade de Salamanca, Paulo Cesar Rebello.

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