França começa a dar anticoncepcionais para jovens de 18 a 25 anos

O projeto também oferece acesso gratuito a uma consulta por ano com um médico ou parteira, além de exames biológicos

atualizado 04/01/2022 12:03

Pílula anticoncepcionalareeya_ann/iStock

Pílulas anticoncepcionais começaram a ser distribuídas, de forma gratuita, pelo governo francês nesta semana. Os medicamentos são destinados para jovens de 18 a 25 anos e chegarão a pelo menos 3 milhões de mulheres até o fim do ano.

A medida foi anunciada em setembro pelo ministro da Saúde francês, Olivier Véran. De acordo com ele, a contracepção estava “em retrocesso” no país e o principal motivo disso era a “renúncia por razões financeiras”.

Diante deste cenário, a pasta formulou o projeto, o qual também oferece acesso gratuito a uma consulta por ano com um médico ou parteira, exames biológicos e anticoncepcionais gerais (pílulas, implantes, dispositivos intrauterinos, diafragmas e a anticoncepção hormonal de emergência).

Conforme o Fórum Parlamentar Europeu para os Direitos Sexuais e Reprodutivos (EPF), a França ocupa o segundo lugar do Atlas da anticoncepção 2020 – atrás apenas da Bélgica. “Embora quase 60% das mulheres europeias em idade fértil usem algum tipo de anticoncepção, 35% das gestações na Europa são consideradas não planejadas”, destaca o Fórum.

No Brasil

No Brasil, a taxa de gestação não desejada passa de 55%, segundo uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz que ouviu 24 mil mulheres entre 2011 e 2012. O percentual está acima da média mundial, de 40% de gestações não planejadas.

Por aqui, as mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) podem recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), em tese, para escolher entre sete métodos contraceptivos gratuitos: injetável mensal, injetável trimestral, minipílula, pílula combinada, diafragma, Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre e camisinha. No caso dos homens, a vasectomia pode ser feita gratuitamente se o homem tiver mais de 25 anos ou dois filhos.

Na prática, contudo, mulheres enfrentam filas enormes para agendar a colocação do DIU. Também não há injeção trimestral em alguns postos de saúde. E elas ainda enfrentam restrições de cunho religioso.

A falha do sistema resulta em mais de 500 mil abortos clandestinos realizados no país todos os anos, de acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto.

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