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Mundo

Rússia vê EUA como "rival" e critica pressão sobre América Latina

Sergey Lavrov diz não esperar mudanças na postura de Washington e critica tarifas que podem atingir países compradores de petróleo russo

20/10/2026 17:50
Kay Nietfeld/picture alliance via Getty Images
Imagem colorida de Sergey Lavrov na ONU -Metrópoles

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que os Estados Unidos continuarão sendo, na melhor das hipóteses, rivais de Moscou, e criticou a pressão exercida pelo governo de Donald Trump sobre países da América Latina e da África. Segundo o chanceler, o Kremlin não espera uma mudança significativa na postura de Washington.

“Não esperamos um milagre”, declarou Lavrov durante um encontro com recém-formados que ingressarão no serviço diplomático russo. Ele citou declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e do subsecretário de Defesa para Políticas, Elbridge Colby, além do tratamento dado pelos Estados Unidos a parceiros da Rússia em outras regiões.

“Devemos ter em mente que, na melhor das hipóteses, eles são nossos rivais e, na pior, nossos oponentes. Eles não estão preparados para uma competição justa”, afirmou.

Lavrov também criticou a política tarifária de Trump, que, segundo ele, prejudica o comércio internacional. O chanceler acusou Washington de recorrer a aumentos de tarifas, fretes e seguros para pressionar países e defender interesses próprios.

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Mauro Vieira e Lavrov durante Cúpula de Chanceleres dos Brics
Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
Putin e Trump no Alasca, em agosto de 2025
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Putin e Trump no Alasca, em agosto de 2025

Andrew Harnik/Getty Images
Mauro Vieira e Lavrov durante Cúpula de Chanceleres dos Brics
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Mauro Vieira e Lavrov durante Cúpula de Chanceleres dos Brics

Reprodução/Itamaraty
Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia
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Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia

Spencer Platt/Getty Images

Tarifas podem atingir parceiros da Rússia

O chanceler citou a lei conhecida como Graham Act, sancionada por Trump em setembro, que prevê sanções e tarifas contra a Rússia e países que compram petróleo e gás russos. A legislação autoriza tarifas de até 100% sobre produtos de grandes importadores dessas commodities e de até 500% sobre mercadorias russas, conforme as condições previstas na norma.

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Na última sexta-feira (16/10), porém, Trump suspendeu a aplicação de medidas previstas na lei, alegando que a decisão atendia aos interesses nacionais dos Estados Unidos. O presidente afirmou que a pressão econômica poderia ser reconsiderada posteriormente.

Lavrov criticou a decisão de tratar a suspensão como um sinal de aproximação entre os dois países. Para ele, o governo republicano agiu de acordo com interesses internos de curto prazo, e um futuro presidente norte-americano poderá adotar outra postura.

O ministro relacionou a decisão à preocupação de Washington com os preços da energia e à autorização para a entrada de diesel russo nos mercados internacionais. A suspensão das sanções ocorreu dias depois de Trump anunciar um acordo para comprar combustível da Rússia.

Para Moscou, a pressão americana sobre países que mantêm relações comerciais com a Rússia reforça a percepção de que Washington utiliza instrumentos econômicos para influenciar as escolhas de parceiros internacionais.