Rússia diz estar disposta a retomar laços com países que "agem de boa-fé"
Chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, defende reaproximação com Ocidente em meio à retomada de contatos entre Donald Trump e Vladimir Putin

A Rússia está disposta a restabelecer relações com países que demonstrem boa-fé e interesse em retomar a cooperação, afirmou o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov. A declaração ocorre em meio a sinais de reaproximação entre Moscou e Washington, apesar das divergências sobre a guerra na Ucrânia e das sanções ocidentais contra os russos.
“Estamos prontos para restabelecer as relações com aqueles que agem de boa-fé”, disse Lavrov durante um encontro com recém-formados que ingressaram no serviço diplomático russo.
O chanceler lembrou que o presidente Vladimir Putin já havia defendido a retomada dos contatos internacionais após o início da guerra contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Lavrov também criticou o rompimento dos laços energéticos com a Europa e citou a decisão alemã de não restaurar os gasodutos Nord Stream.
“Não seremos tão idiotas”, afirmou o ministro, ao comparar a posição russa à do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O Kremlin condiciona a normalização das relações ao reconhecimento dos interesses nacionais e das preocupações de segurança russas, além de criticar as sanções impostas por governos ocidentais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTrump propõe reunião com Putin e Xi
Na segunda-feira (19/10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar disposto a participar de uma reunião com Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, para discutir o desarmamento nuclear.
“Faríamos isso para falar sobre armas nucleares e desnuclearização”, declarou o republicano, acrescentando que participaria caso Xi concordasse.
O Kremlin confirmou que a possibilidade do encontro foi discutida diplomaticamente, mas ainda não há acordo sobre a realização da reunião nem sobre sua pauta. A cúpula poderia ocorrer em novembro, à margem do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, na China.
A possibilidade de uma reunião sem a participação da Ucrânia provocou críticas de Kiev. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, avaliou que conversas entre os três líderes, sem representantes ucranianos, poderiam incentivar Putin a prolongar a guerra.
Trump suspende sanções contra Moscou
Os contatos diplomáticos ocorrem enquanto Trump revê medidas de pressão econômica contra a Rússia. Na sexta-feira (16/10), o presidente suspendeu um pacote de sanções aprovado pelo Congresso norte-americano e sancionado por ele no mês anterior.
Trump também retomou negociações com Putin sobre a possibilidade de liberar diesel russo, em meio à alta dos combustíveis nos Estados Unidos. O presidente atribuiu parte da elevação dos preços aos ataques ucranianos contra refinarias russas.
Na semana passada, Trump anunciou um cessar-fogo relacionado às instalações energéticas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de desrespeitar o entendimento e retomar ataques.






