Rússia reorganiza Exército para sitiar região separatista de Donbass

Essa seria uma "segunda fase" da invasão, segundo anunciou o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu

atualizado 30/03/2022 14:21

Marienko Andrii/UNIAN

O governo russo confirmou que redistribuiu tropas de seu Exército para sitiar a região separatista pró-Rússia de Donbass, onde estão as cidades de Donetsk e Luhansk, no Leste ucraniano.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, explicou que as tropas russas que estavam realizando ofensivas em Kiev, capital e coração do poder, e Chernihiv irão se “reagrupar”.

Segundo a agência estatal de notícias RIA, a intenção é que os militares se reúnam para “libertar a região de Donbass”.

Essa seria uma “segunda fase” da invasão, uma vez que Shoigu disse que os objetivos da primeira fase foram concluídos.

A declaração do ministério veio um dia depois de a Rússia garantir que reduziria as operações perto de Kiev e Chernihiv para apoiar o progresso nas negociações de paz. A Ucrânia acusa os russos de não cumprirem a promessa de parar ataques.

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Otan, entidade militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possibilidade como uma ameaça à sua segurança.

Ataques

Um prédio da Cruz Vermelha, o memorial do holocausto e uma área residencial foram alvo de bombardeios, atribuídos às tropas russas.

Nesta quarta-feira (30/3), mísseis atingiram o memorial do holocausto nos arredores de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia. As informações são do ministro do interior ucraniano, Anton Herashchenko.

Imagens mostram um prédio residencial atingido por um bombardeio na região de Donetsk, no leste da Ucrânia. A área é separatista pró-Russia.

A ombudsman da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, disse em uma rede social que os ocupantes de Mariupol miraram e acertaram um prédio do comitê internacional da Cruz Vermelha.

“O local tinha uma cruz vermelha pintada sobre um fundo branco, indicando que ali havia pessoas feridas, civis ou suprimentos humanitários”, explicou. Denisova não especificou quando o ataque ocorreu, se houve mortes ou se alguém ficou ferido.

“Até hoje, os únicos que atingiram construções e veículos marcados com a cruz vermelha foram as tropas de Hitler”, disse a ombudsman.

A comissária de direitos humanos do Parlamento da Ucrânia, Liudmila Denisova, acusou as tropas russas de dispararem um foguete contra uma escola infantil em Tchernihiv.

“Cautela”

Mesmo após a Rússia prometer que reduziria “drasticamente” os ataques a Kiev e Chernihiv, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que é preciso “cautela” nos próximos dias. Em pronunciamento, o líder ucraniano admitiu que a conversa na Turquia foi positiva, mas não apaga o risco de ataques russos.

“A situação não se tornou mais fácil”, declarou. Zelensky garantiu que não diminuirá o efetivo militar na capital, uma vez que ainda há risco significativo de ataques, e que o anúncio russo não significa o fim do conflito.

O presidente ucraniano reclamou de um bombardeio a Mykolaiv que matou 12 pessoas e deixou 33 feridas nesta terça-feira.

“Nenhum alvo militar foi atacado, e os moradores de Mykolaiv não representavam nenhuma ameaça para a Rússia”, criticou Zelensky.

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Pessimismo

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, demonstrou pessimismo em relação a um acordo e à promessa da Rússia de reduzir as operações militares em parte da Ucrânia.

“Vamos ver se eles seguem o que estão sugerindo. Vamos continuar atentos ao que está acontecendo”, resumiu, em Washington.

Seguindo a mesma linha que os norte-americanos, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, deve ser julgado “por suas ações, não por suas palavras”.

“Portanto, não queremos ver nada menos do que uma retirada completa das forças russas do território ucraniano”, frisou.

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