Rei Charles III destaca “aliança histórica” entre Reino Unido e EUA
O rei Charles III discursou no Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (28/4), como parte de uma visita de Estado de quatro dias
atualizado
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O rei Charles III discursou, nesta terça-feira (28/4), no Congresso norte-americano, como parte de uma visita de Estado de quatro dias. Durante a fala, destacou a importância da aliança histórica entre Reino Unido e Estados Unidos e abordou a cooperação em defesa e segurança, com menções à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
“A história do Reino Unido e dos Estados Unidos é, em sua essência, uma história de reconciliação, renovação e uma parceria extraordinária. A partir das amargas divisões de 250 anos atrás, construímos uma amizade que se transformou em uma das alianças mais importantes da história humana”, disse o monarca.
O discurso ocorre em um momento de tensão nas relações entre os dois países. Em março, Donald Trump afirmou que o vínculo com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, “já não é mais o mesmo”, após divergências relacionadas ao apoio do Reino Unido a ações militares conduzidas por Washington e Israel contra o Irã.
A relação dos EUA com a Otan também está em baixa, com a aliança militar ocidental tornando-se alvo de críticas frequentes do presidente Donald Trump.
Crise entre EUA e Reino Unido
- A relação entre Estados Unidos e Reino Unido passa por um momento de tensão diplomática. O desgaste começou após críticas de Donald Trump ao primeiro-ministro Keir Starmer, nas quais questionou sua liderança e a capacidade militar britânica.
- A situação se agravou com o vazamento de um documento do Pentágono indicando que Washington pode rever o apoio histórico ao Reino Unido na disputa pelas Ilhas Malvinas. O território é controlado pelos britânicos, mas também é reivindicado pela Argentina.
- O governo britânico reagiu reafirmando a soberania sobre as ilhas, enquanto o possível recuo dos EUA é interpretado como uma forma de pressionar aliados da Otan a ampliar participação em conflitos internacionais.
- Esse cenário ganha ainda mais complexidade pelo alinhamento político entre Trump e o presidente argentino Javier Milei, já que a Argentina reivindica as Malvinas.
Na segunda-feira (27/4), Charles III se reuniu com Trump no Salão Oval da Casa Branca. O presidente e a primeira-dama, Melania Trump, receberam o monarca e a rainha Camilla em uma cerimônia marcada por formalidade e troca de presentes.
Em discurso, Trump adotou um tom de aproximação e afirmou que os Estados Unidos “não têm amigos mais próximos que os britânicos”. Ele também destacou a chamada “relação especial” entre os dois países.
Defesa e segurança
Ao tratar da parceria militar, Charles afirmou que a colaboração entre os países é central para a estabilidade global.
Segundo ele, “o compromisso e a expertise das Forças Armadas dos Estados Unidos e de seus aliados estão no coração da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns”.
O monarca também destacou a atuação da Otan em momentos históricos, como após os ataques de 11 de Setembro, e mencionou ainda a guerra da Ucrânia. As referências podem ser interpretadas como um recado indireto em defesa da coordenação entre aliados, em contraposição a iniciativas unilaterais adotadas por Donald Trump em temas internacionais.
“Imediatamente após o 11 de Setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado”, afirmou. “Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura.”
Ao longo do discurso, Charles ressaltou a importância da cooperação entre aliados e da defesa de valores democráticos. Também relembrou que britânicos e norte-americanos estiveram “ombro a ombro” em diferentes conflitos e momentos decisivos para a segurança internacional.
O rei fez ainda referências à independência dos Estados Unidos, que completa 250 anos em 2026.
“A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte. Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje”, disse.
