Quem é o político que EUA quer “testar” como líder do Irã

Com ambições de longa data, Mohammad Ghalibaf teria sido procurado por mediadores de negociações

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Redes Sociais
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do Irã
1 de 1 Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do Irã - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Donald Trump afirmou nessa segunda‑feira (23/3) que os Estados Unidos estavam negociando com o Irã, alimentando esperanças de um possível acordo para encerrar a guerra iniciada há quase quatro semanas.

Segundo informações do Axios, Egito, Paquistão e Turquia mediaram as conversas no domingo. Os mesmos três países tentaram ainda organizar para o dia seguinte, de acordo com o mesmo portal americano, uma ligação com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e sua equipe.

A liderança em Teerã nega qualquer diálogo. Já Ghalibaf chamou o assunto de “fake news”, cujo objetivo seria ganhar tempo e manipular os mercados financeiros e de petróleo.

Mas, segundo o site Politico, o governo Trump vem discretamente considerando Ghalibaf como um possível parceiro – e até mesmo um futuro líder –, à medida que o presidente sinaliza uma mudança da pressão militar para uma solução negociada.

Da Guarda Revolucionária à influência política

Ghalibaf, de 64 anos, é piloto e ex‑comandante da Guarda Revolucionária do Irã. Ele fez doutorado em geografia política, tendo pesquisado sobre a relação entre espaço, poder, Estado e política de segurança.

Quando jovem soldado, lutou na Guerra Irã‑Iraque (1980–1988) e construiu carreira dentro da Guarda Revolucionária.

Após a guerra, ele se tornou chefe do quartel‑general de construção Khatam al‑Anbiya, organização criada para reconstruir o país sob controle da Guarda Revolucionária e que ainda hoje funciona como seu braço econômico, reunindo centenas de subsidiárias e empresas contratadas.

Em 1997, Ghalibaf foi nomeado por Ali Khamenei comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária. Ao lado de outros comandantes, teve papel decisivo nos protestos estudantis de 1999 e, junto com Qasem Soleimani, assinou uma carta ameaçadora ao então presidente Mohammad Khatami, advertindo o governo a não mais “tolerar” as manifestações.

Posteriormente, Ghalibaf afirmou em entrevistas que chegou a espancar manifestantes com bastões enquanto circulava de moto pelas ruas. Um ano depois, tornou‑se chefe da polícia nacional.

Acusações de corrupção

Ghalibaf tinha ambições políticas e concorreu três vezes à presidência do Irã. Em 2005, perdeu para Mahmoud Ahmadinejad, então prefeito de Teerã. Em 2013, candidatou‑se novamente e perdeu para Hassan Rohani. Em 2017, retirou sua candidatura para apoiar outro político conservador.

Mesmo com as derrotas presidenciais, ele ocupou a prefeitura da capital iraniana de 2005 a 2017.

Durante este período, muitos imóveis públicos teriam sido vendidos por valores significativamente abaixo do mercado – em alguns casos, até 50% mais baratos –, segundo a imprensa iraniana. Entre os compradores, haveria funcionários do governo e membros da própria família de Ghalibaf.

Também há relatos de que Ghalibaf teria transferido grandes somas do orçamento municipal para a fundação administrada por sua esposa, que supostamente oferece apoio a mães solteiras e mulheres que sustentam suas famílias.

O funcionamento da fundação, no entanto, não é transparente. As acusações nunca foram totalmente esclarecidas devido à proximidade de Ghalibaf com Khamenei. Jornalistas que investigaram o caso foram condenados a penas de prisão.

Escândalos familiares

Nos últimos anos, escândalos envolvendo familiares de Ghalibaf também repercutiram. Um dos mais conhecidos foi a tentativa de seu filho Eshaq de obter residência permanente no Canadá.

Desde 2019, ele buscava uma decisão do órgão de imigração canadense e chegou a abrir um processo na Justiça para se queixar da demora. A tentativa gerou debate no Irã, por parecer incompatível com a postura antiocidental do seu pai. No fim, o pedido foi negado.

Outra polêmica envolveu a viagem da sua filha e da família dela à Turquia. Em 2022, fotos mostraram o retorno deles do aeroporto de Istambul para Teerã carregando produtos para bebês, classificados pela imprensa como um “kit de enxoval”.

O episódio gerou fortes críticas em um país afetado por crise econômica persistente, sanções e inflação galopante.

Interlocutores sob análise

Ainda não está claro qual poderá ser o papel desta controversa figura política no Irã, apontado como influente dentro da Guarda Revolucionária. O fato de que, ao contrário de outros altos funcionários do regime, ele não tenha sido morto nos ataques dos EUA e de Israel no Irã até agora alimenta especulações.

Duas fontes disseram ao Politico que a Casa Branca quer testar vários candidatos para liderar o país, enquanto procura alguém disposto a chegar a um acordo. Publicamente, o governo americano não quis comentar, afirmando que não negociará “discussões diplomáticas sensíveis pela mídia”.

Já o Wall Street Journal reportou que milhares de fuzileiros navais dos EUA serão enviados ao Oriente Médio na sexta‑feira para restabelecer a segurança no Estreito de Ormuz.

Leia mais reportagens como esta em DW, parceiro do Metrópoles.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?