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Protestos na França viram mote eleitoral de Trump durante midterms

Presidente dos EUA tem relacionado protestos na França a imigrantes e disse que vitória dos Democratas pode reverberar mesmo cenário no país

22/10/2026 04:30
Protestos na França viram mote eleitoral de Trump durante midterms
Protestos na França viram mote eleitoral de Trump durante midterms

Os protestos na França das últimas semanas se transformaram em um mote eleitoral para o presidente Donald Trump em meio às eleições de meio de mandato que acontecem nos Estados Unidos. O republicano tem relacionado as manifestações à crise migratória na Europa em uma retórica que, para especialistas, faz parte de um discurso político e eleitoral, mirando as eleições de novembro.

Em mais de uma oportunidade, Trump usou as redes sociais para relacionar os protestos na França aos imigrantes. Os atos já duram semanas e geraram uma onda de violência no país no último sábado (14/10). Em recente declaração sobre o tema, Trump disse que os Estados Unidos “queimarão” como a França se democratas vencerem as eleições.

Ao citar a disputa, o republicano se refere às midterms, que ocorrem no segundo ano do mandato presidencial e acontecem, oficialmente, no dia 3 de novembro. Alguns estados, no entanto, já deram início à votação antecipada nesta semana.

Atualmente, o Partido Republicano de Trump tem a maioria no Congresso, mas as sondagens apontam para uma mudança na composição das duas Casas após o pleito deste ano.

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Nesse sentido, analistas avaliam que o presidente dos Estados Unidos tem tentando invocar pautas mais conservadoras e ligadas ao “imaginário” do eleitor, mirando o público MAGA (Make America Great Again, ou “Faça a América Grande Novamente”), que já vota com o republicano.


Eleições de meio de mandato

  • As eleições de 3 de novembro vão definir o controle da Câmara dos Representantes e de parte do Senado;
  • Todos os 435 assentos da Câmara estarão em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado;
  • Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas, e uma derrota pode dificultar a aprovação da agenda legislativa de Trump;
  • Se os Democratas conquistarem uma ou ambas as Casas, Trump enfrentará mais obstáculos para aprovar projetos;
  • A oposição também poderá ampliar investigações sobre o governo, convocar autoridades e fortalecer a fiscalização do Executivo.

O “imaginário” do eleitor

Na avaliação do professor de relações internacionais do IDP, Robson Cardoch Valdez, Donald Trump mexe com o imaginário do eleitor norte-americano ao relacionar os casos na França à imigração. O tema está em consonância com a campanha eleitoral do republicano e é uma das principais bandeiras de seu governo.

“Trump tem tido dificuldade de entregar, no curto prazo, uma solução concreta e duradoura para o custo de vida da população. O que resta de menos complexo é trabalhar o imaginário do MAGA, como é o caso dos imigrantes, o Escudo das América entoando o discurso de combate ao narcotráfico”, avalia Valdez.

Embora a imigração seja um dos fatores de insatisfação entre os norte-americanos, o tema mobiliza a base eleitoral de Trump e os integrantes do movimento MAGA — corrente política difundida pelo republicano que defende pautas nacionalistas e conservadoras, além da priorização dos interesses dos Estados Unidos.

A inflação, o custo de vida, a alta dos combustíveis associada à guerra contra o Irã e a intensificação das operações migratórias do ICE, têm causado insatisfação no eleitor norte-americano. O professor explica que a suspenção das sanções ao diesel russo é ainda uma tentativa de mitigar o aumento do combustível no EUA, mas que não surtiu efeitos práticos.

Diante da falta de respostas aos problemas econômicos, o republicano recorre ao discurso de costumes como estratégia para mobilizar sua base eleitoral.

A abordagem também visa estimular a participação nas urnas, já que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos. Ainda que o discurso de Trump não conquiste novos eleitores, pode ser eficaz para engajar seus apoiadores e levá-los a votar.

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Escudo das Américas foi criado durante o governo atual de Donald Trump, dos EUA
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Joyce N. Boghosian/Casa Branca

Teste de popularidade

O pleito deste ano tem sido visto como um teste à popularidade de Trump, cuja aprovação está na faixa dos 30%. Atualmente, a maioria dos políticos eleitos para a Câmara e para o Senado é do mesmo partido de Trump.

Esse cenário de alinhamento favorece a política do norte-americano, que tende a ter poucos projetos barrados ou questionados pelo Congresso. Uma mudança neste cenário pode dificultar a governabilidade do líder republicano.

Em um exemplo do alto grau de insatisfação com a política de Donald Trump, especialistas ressaltam o estado do Texas, que neste ano pode eleger, pela primeira vez desde 1988, um senador democrata para a Casa Alta do Congresso norte-americano.

Ao longo das últimas três décadas, o Texas se consolidou como uma base do Partido Republicano, elegendo governadores conservadores e enviando parlamentares do partido ao Congresso. Essa hegemonia, contudo, se mostra desafiada com o favoritismo de James Talarico para ocupar a vaga ao Senado pelo estado.

Os democratas, por outro lado, tentam transformar o descontentamento com o governo em votos, enquanto os republicanos procuram manter o apoio de grupos que ajudaram a eleger Trump em 2024, incluindo parcelas do eleitorado latino.