Protestos na França viram mote eleitoral de Trump durante midterms
Presidente dos EUA tem relacionado protestos na França a imigrantes e disse que vitória dos Democratas pode reverberar mesmo cenário no país

Os protestos na França das últimas semanas se transformaram em um mote eleitoral para o presidente Donald Trump em meio às eleições de meio de mandato que acontecem nos Estados Unidos. O republicano tem relacionado as manifestações à crise migratória na Europa em uma retórica que, para especialistas, faz parte de um discurso político e eleitoral, mirando as eleições de novembro.
Em mais de uma oportunidade, Trump usou as redes sociais para relacionar os protestos na França aos imigrantes. Os atos já duram semanas e geraram uma onda de violência no país no último sábado (14/10). Em recente declaração sobre o tema, Trump disse que os Estados Unidos “queimarão” como a França se democratas vencerem as eleições.
Ao citar a disputa, o republicano se refere às midterms, que ocorrem no segundo ano do mandato presidencial e acontecem, oficialmente, no dia 3 de novembro. Alguns estados, no entanto, já deram início à votação antecipada nesta semana.
Atualmente, o Partido Republicano de Trump tem a maioria no Congresso, mas as sondagens apontam para uma mudança na composição das duas Casas após o pleito deste ano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNesse sentido, analistas avaliam que o presidente dos Estados Unidos tem tentando invocar pautas mais conservadoras e ligadas ao “imaginário” do eleitor, mirando o público MAGA (Make America Great Again, ou “Faça a América Grande Novamente”), que já vota com o republicano.
Eleições de meio de mandato
- As eleições de 3 de novembro vão definir o controle da Câmara dos Representantes e de parte do Senado;
- Todos os 435 assentos da Câmara estarão em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado;
- Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas, e uma derrota pode dificultar a aprovação da agenda legislativa de Trump;
- Se os Democratas conquistarem uma ou ambas as Casas, Trump enfrentará mais obstáculos para aprovar projetos;
- A oposição também poderá ampliar investigações sobre o governo, convocar autoridades e fortalecer a fiscalização do Executivo.
O “imaginário” do eleitor
Na avaliação do professor de relações internacionais do IDP, Robson Cardoch Valdez, Donald Trump mexe com o imaginário do eleitor norte-americano ao relacionar os casos na França à imigração. O tema está em consonância com a campanha eleitoral do republicano e é uma das principais bandeiras de seu governo.
“Trump tem tido dificuldade de entregar, no curto prazo, uma solução concreta e duradoura para o custo de vida da população. O que resta de menos complexo é trabalhar o imaginário do MAGA, como é o caso dos imigrantes, o Escudo das América entoando o discurso de combate ao narcotráfico”, avalia Valdez.
Embora a imigração seja um dos fatores de insatisfação entre os norte-americanos, o tema mobiliza a base eleitoral de Trump e os integrantes do movimento MAGA — corrente política difundida pelo republicano que defende pautas nacionalistas e conservadoras, além da priorização dos interesses dos Estados Unidos.
A inflação, o custo de vida, a alta dos combustíveis associada à guerra contra o Irã e a intensificação das operações migratórias do ICE, têm causado insatisfação no eleitor norte-americano. O professor explica que a suspenção das sanções ao diesel russo é ainda uma tentativa de mitigar o aumento do combustível no EUA, mas que não surtiu efeitos práticos.
Diante da falta de respostas aos problemas econômicos, o republicano recorre ao discurso de costumes como estratégia para mobilizar sua base eleitoral.
A abordagem também visa estimular a participação nas urnas, já que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos. Ainda que o discurso de Trump não conquiste novos eleitores, pode ser eficaz para engajar seus apoiadores e levá-los a votar.
Teste de popularidade
O pleito deste ano tem sido visto como um teste à popularidade de Trump, cuja aprovação está na faixa dos 30%. Atualmente, a maioria dos políticos eleitos para a Câmara e para o Senado é do mesmo partido de Trump.
Esse cenário de alinhamento favorece a política do norte-americano, que tende a ter poucos projetos barrados ou questionados pelo Congresso. Uma mudança neste cenário pode dificultar a governabilidade do líder republicano.
Em um exemplo do alto grau de insatisfação com a política de Donald Trump, especialistas ressaltam o estado do Texas, que neste ano pode eleger, pela primeira vez desde 1988, um senador democrata para a Casa Alta do Congresso norte-americano.
Ao longo das últimas três décadas, o Texas se consolidou como uma base do Partido Republicano, elegendo governadores conservadores e enviando parlamentares do partido ao Congresso. Essa hegemonia, contudo, se mostra desafiada com o favoritismo de James Talarico para ocupar a vaga ao Senado pelo estado.
Os democratas, por outro lado, tentam transformar o descontentamento com o governo em votos, enquanto os republicanos procuram manter o apoio de grupos que ajudaram a eleger Trump em 2024, incluindo parcelas do eleitorado latino.






