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Desgaste de Trump ameaça desempenho dos Republicanos na eleição de novembro

Com popularidade em queda, Donald Trump faz campanha por aliado no Texas, onde democratas veem chance de conquistar uma cadeira no Senado

12/10/2026 04:30
Desgaste de Trump ameaça desempenho dos Republicanos na eleição de novembro
Desgaste de Trump ameaça desempenho dos Republicanos na eleição de novembro

A queda de popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça o desempenho do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Em um dos principais sinais de desgaste, Trump voltou ao Texas para tentar fortalecer a candidatura do procurador-geral Ken Paxton ao Senado, em uma disputa na qual o democrata James Talarico aparece à frente nas pesquisas.

O resultado pode influenciar o controle da Casa e a capacidade do presidente de aprovar sua agenda nos dois últimos anos de mandato.

O fator Texas é crucial para os republicanos. Tradicionalmente favorável ao partido, o estado tornou-se um dos principais focos de preocupação da legenda. Trump venceu o estado por mais de 13 pontos percentuais nas eleições presidenciais de 2024, mas a disputa pelo Senado está mais acirrada do que o esperado.

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Talarico chegou a abrir sete pontos de vantagem sobre Paxton em uma pesquisa recente do New York Times.

O cenário levou o chefe da Casa Branca a visitar o estado três vezes em menos de um mês, em uma tentativa de mobilizar sua base eleitoral e impedir que os democratas conquistem uma cadeira mantida pelos republicanos há décadas. O Texas não elege um democrata para o Senado desde 1988.

A dificuldade vai além da competitividade entre os candidatos. A escolha de Paxton, impulsionada pelo presidente nas primárias republicanas, tornou-se um teste para a influência política de Trump.

Porém, o procurador-geral enfrenta controvérsias jurídicas e dificuldades para atrair recursos, enquanto o presidente tenta transferir parte de sua popularidade aos candidatos do partido.


Controle do Congresso em jogo

  • As eleições de 3 de novembro definirão o controle da Câmara dos Representantes e de parte do Senado.
  • Todos os 435 assentos da Câmara estarão em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado.
  • Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas, e uma derrota pode dificultar a aprovação da agenda legislativa de Trump.
  • Na Câmara, os Democratas precisam conquistar três cadeiras líquidas para assumir a maioria.
  • No Senado, a disputa é mais difícil: com os republicanos à frente por 53 a 47, a oposição precisa ganhar quatro cadeiras para alcançar o controle.
  • Se os Democratas conquistarem uma ou ambas as Casas, Trump enfrentará mais obstáculos para aprovar projetos.
  • A oposição também poderá ampliar investigações sobre o governo, convocar autoridades e fortalecer a fiscalização do Executivo.

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Governo Trump exigiu que Brasil permita "dissidentes políticos" na eleição
O candidato ao Senado dos EUA, James Talarico, discursa na Igreja Batista da Avenida Wheeler, em Houston, no domingo, 13 de setembro de 2026.
O candidato republicano ao Senado e procurador-geral do Texas, Ken Paxton, participa de um comício de campanha no Freeman Coliseum em 7 de outubro de 2026, em San Antonio, Texas.
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O candidato republicano ao Senado e procurador-geral do Texas, Ken Paxton, participa de um comício de campanha no Freeman Coliseum em 7 de outubro de 2026, em San Antonio, Texas.

Win McNamee/Getty Images
Governo Trump exigiu que Brasil permita "dissidentes políticos" na eleição
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Governo Trump exigiu que Brasil permita "dissidentes políticos" na eleição

Win McNamee/Getty Images
O candidato ao Senado dos EUA, James Talarico, discursa na Igreja Batista da Avenida Wheeler, em Houston, no domingo, 13 de setembro de 2026.
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O candidato ao Senado dos EUA, James Talarico, discursa na Igreja Batista da Avenida Wheeler, em Houston, no domingo, 13 de setembro de 2026.

Elizabeth Conley/Houston Chronicle via Getty Images

 Texas testa a força política de Trump

A disputa texana expõe as contradições da estratégia eleitoral do presidente. Trump apoiou Paxton para derrotar o senador John Cornyn nas primárias republicanas.

Cornyn havia se indisposto com o presidente ao criticar a invasão do Capitólio por apoiadores de Trump, em 6 de janeiro de 2021, e ao se opor à candidatura presidencial republicana em 2024.

Paxton, por sua vez, é um aliado alinhado ao movimento Make America Great Again (MAGA), mas carrega um histórico de controvérsias. Ele foi acusado de fraude relacionada a negócios imobiliários e sofreu um processo de impeachment na Câmara estadual, em 2023, do qual foi absolvido pelo Senado do Texas.

Apesar do apoio presidencial, a relação entre os dois é marcada por sinais de tensão. Trump já fez críticas públicas ao próprio candidato e, durante um evento republicano em Dallas, comentou que não gostava da maneira como Paxton se vestia.

Em uma gravação que veio a público, o procurador-geral parece atribuir parte das dificuldades de sua campanha à guerra e à alta dos combustíveis.

O presidente, porém, insiste que sua presença nos palanques pode reverter o cenário. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que seus comícios estavam salvando o Partido Republicano.

A mobilização, no entanto, não garante que os candidatos apoiados por Trump consigam converter a presença do presidente em votos. A campanha de Paxton tornou-se uma das disputas mais caras do país, com investimentos republicanos muito superiores aos desembolsados pelos democratas.

O volume de recursos destinados ao Texas também preocupa integrantes do próprio partido. O dinheiro empregado para sustentar Paxton pode reduzir a capacidade republicana de investir em outras disputas competitivas, justamente quando a legenda precisa defender sua maioria no Senado.

A preocupação alcança também o governador do Texas, Greg Abbott. Aliado de Trump, ele enfrenta uma disputa apertada pela reeleição contra a democrata Gina Hinojosa e não compareceu a eventos recentes do presidente no estado. A ausência, justificada por conflitos de agenda, ocorre em meio às dificuldades de candidatos republicanos para se associarem à imagem da Casa Branca.

Queda de popularidade

O cenário no Texas reflete o desgaste nacional de Trump, cuja aprovação está na faixa dos 30%, em meio à insatisfação com a economia, a política externa e a atuação do governo. A desaprovação chegou a 54% entre eleitores brancos sem diploma universitário, ante 32% em fevereiro de 2025, enquanto o apoio entre latinos que votaram no presidente também recuou.

A inflação, o custo de vida, a alta dos combustíveis associada à guerra contra o Irã e a intensificação das operações migratórias do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) ampliam a insatisfação.

O conjunto de fatores ameaça a capacidade de Trump de mobilizar eleitores e impulsionar candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato, que costumam refletir a avaliação popular do governo em exercício.