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EUA: desgaste de Trump entre latinos pode afetar republicanos nas eleições

Insatisfação com a economia e as deportações impulsionam democratas entre eleitores que ajudaram a eleger Donald Trump em 2024

20/10/2026 04:30
EUA: desgaste de Trump entre latinos pode afetar republicanos nas eleições
EUA: desgaste de Trump entre latinos pode afetar republicanos nas eleições

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos começaram nesta segunda-feira (19/10), com a votação antecipada em alguns estados, e o presidente Donald Trump enfrenta um desafio eleitoral que pode comprometer a maioria republicana no Congresso: o desgaste entre os eleitores latinos.

Após contribuírem para a vitória do republicano em 2024, integrantes desse grupo demonstram crescente insatisfação com o custo de vida e as políticas migratórias do governo, segundo pesquisas recentes.

Levantamento da NBC News em parceria com a Telemundo, realizado entre 21 e 28 de setembro, mostra que 59% dos eleitores latinos preferem que os democratas controlem o Congresso após as eleições de novembro, enquanto 35% optam pelos republicanos.

A diferença de 24 pontos percentuais representa o dobro da vantagem democrata registrada entre esses eleitores no mesmo período de 2024, quando o partido liderava por 12 pontos.

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O resultado indica uma reversão em relação ao avanço republicano observado na última eleição presidencial. Em 2024, Trump conquistou uma parcela expressiva do voto latino, reduzindo a vantagem histórica dos democratas e ampliando sua presença entre homens e trabalhadores que apostavam nas promessas de melhora econômica do republicano.

Agora, a insatisfação com os preços, a condução da economia e as operações de imigração ameaçam reduzir a capacidade do Partido Republicano de repetir esse desempenho.


Eleições podem limitar agenda de Trump

  • As eleições de meio de mandato serão realizadas em 3 de novembro.
  • Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 vagas no Senado estarão em disputa.
  • Os republicanos controlam atualmente as duas Casas, e a perda da maioria em uma delas pode dificultar a aprovação de projetos de Trump e ampliar a fiscalização do Executivo pelo Congresso.
  • Nesse cenário, o voto latino pode influenciar disputas em estados e distritos competitivos.
  • A vantagem democrata apontada por pesquisas, porém, não garante adesão ao partido: a insatisfação com o governo pode não se converter em apoio consistente à oposição.
  • O desafio dos democratas é mobilizar eleitores descontentes, enquanto os republicanos buscam recuperar a confiança de latinos que apoiaram Trump em 2024, mas demonstram preocupação com a economia e a política migratória.

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Burro (símbolo democrata) e elefante (símbolo republicano)
Invasão ao Congresso americano
cidadãos votaram para as eleições presidenciais dos EUA de 2024 em Maryland
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cidadãos votaram para as eleições presidenciais dos EUA de 2024 em Maryland

Celal Gunes/Anadolu via Getty Images
Burro (símbolo democrata) e elefante (símbolo republicano)
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Burro (símbolo democrata) e elefante (símbolo republicano)

Gui Primola/Metrópoles
Invasão ao Congresso americano
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Invasão ao Congresso americano

Drew Angerer/Getty Images

Economia pesa contra Trump

O cenário é ainda pior na economia: apenas 20% dos eleitores latinos aprovam a condução do custo de vida pelo republicano, ante 76% que desaprovam, segundo levantamento da Equis Research.

A insatisfação também se reflete na preferência partidária: os democratas têm vantagem sobre os republicanos na confiança para lidar com a economia, em uma inversão do cenário observado entre os latinos durante a campanha de 2024.

Outro levantamento, divulgado pela Axios com base em uma sondagem da Equis Research, também indica vantagem democrata.

Na intenção de voto para o Congresso, o partido aparece com 57% das preferências dos latinos, ante 31% dos republicanos. Nos distritos mais competitivos, a diferença é ainda maior.

Entre os latinos, a maioria avalia que as políticas de Trump prejudicaram a economia.

Deportações ampliam insatisfação

A política migratória também pesa contra Trump. Embora o controle da fronteira tenha sido uma das principais bandeiras republicanas, dois terços dos latinos ouvidos pela NBC News e pela Telemundo consideram que o governo foi longe demais na fiscalização migratória.

Os efeitos das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) também alcançam pessoas próximas aos entrevistados: mais de um quarto afirmou conhecer alguém detido ou deportado pelo órgão nos dois anos anteriores à pesquisa.

Os dados indicam que o apoio ao controle migratório não significa, necessariamente, concordância com deportações generalizadas. A maioria dos entrevistados apoia a expulsão de imigrantes sem documentação que cometeram crimes graves, mas o apoio é bem menor quando a proposta é deportar todos os imigrantes nessa situação.

Voto latino foi decisivo em 2024

O avanço republicano entre os latinos foi um dos movimentos importantes da eleição presidencial de 2024. Historicamente associados ao Partido Democrata, esses eleitores se aproximaram de Trump em meio à insatisfação com a inflação e às expectativas de melhora do poder de compra.

Os levantamentos sobre o voto daquele ano apresentam diferenças metodológicas, mas apontam para o mesmo fenômeno: Trump conquistou uma parcela expressiva do eleitorado latino. Dados do Pew Research Center sobre eleitores validados indicaram que Kamala Harris recebeu 51% dos votos desse grupo, enquanto o republicano obteve 48%.

O desempenho representou uma mudança expressiva em relação a 2020, quando Joe Biden havia vencido Trump entre os latinos por uma margem muito maior. A aproximação dos republicanos foi especialmente relevante entre os homens hispânicos, parte dos quais demonstrou maior receptividade ao discurso conservador e às promessas de crescimento econômico.

A comunidade latina, no entanto, está longe de constituir um bloco eleitoral uniforme. Há diferenças de origem nacional, renda, religião, idade, região e posicionamento político que influenciam as escolhas nas urnas.

Em 2024, por exemplo, eleitores de origem cubana demonstraram maior apoio a Trump, enquanto mexicanos e porto-riquenhos mantiveram maior preferência pela candidatura democrata.