Presidente chileno promete vistos a militares desertores da Venezuela
As declarações foram dadas ao lado do presidente colombiano Ivan Duque, após reunião em que Bolsonaro não estava presente
atualizado
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Enviada especial a Santiago (Chile) – A Venezuela é a grande ausência da reunião de cúpula de países da América do Sul que se realiza nesta sexta-feira (22/3) na capital chilena, Santiago, ao mesmo tempo em que é o tema mais presente nas conversas e entrevistas dos participantes. O governo de Nicolás Maduro não foi convidado para o encontro, organizado pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, que reconhece o opositor Juan Guaidó como presidente interino do país.
Nesta quinta-feira (21), véspera da reunião, o presidente da Colômbia, Ivan Duque, que teve uma reunião bilateral com Piñera, aparentemente cometeu uma inconfidência ao revelar em público que o Chile estaria disposto a dar vistos para militares que desertem das forças venezuelanas e declarem lealdade a Juan Guaidó.
Disse o presidente colombiano: “Quero destacar o que o senhor nos manifestou hoje de contribuir a receber migrantes que venham das forças militares que tenham desistido de qualquer lealdade à ditadura e que jurem lealdade ao presidente Guaidó”, disse Ivan Duque, que também reconhece o opositor de Maduro como presidente interino da Venezuela.
Sebastián Piñera, que estava ao lado de Duque, não fez nenhum comentário sobre a declaração. Mas, diante da repercussão na imprensa chilena, a assessoria de Piñera teve que fazer um comunicado. A nota confirma que o governo chileno está avaliando a concessão de vistos para “ex-militares venezuelanos que o solicitem”, mas ressalta que eles se enquadrariam na mesma categoria de visto de “responsabilidade democrática”, criado pelo governo Piñera para cidadãos venezuelanos, em julho do ano passado.
As declarações reforçam uma estratégia comum a outros mandatários da América do Sul e ao próprio Juan Guaidó, que é estimular as deserções de militares de alta patente da Venezuela. Só assim seria possível enfraquecer Nicolás Maduro, segundo fontes diplomáticas.
No recente episódio de entrega de ajuda humanitária à população da Venezuela pelas fronteiras do país com Colômbia e Brasil, Juan Guaidó esperava um grande número de deserções, o que não se confirmou. Segundo cálculos de assessores do governo brasileiro que acompanham a crise, Maduro ainda tem o apoio de cerca de dois mil oficiais das três forças armadas, o que lhe dá uma base de sustentação por um tempo indefinido.
Os outros 11 países da América do Sul estão presentes, sendo sete com seus presidentes e quatro por meio de representantes diplomáticos. Além do anfitrião, vieram os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil), Maurício Macri (Argentina), Ivan Duque (Colômbia), Martín Vizcarra (Peru), Lenin Moreno (Equador) e Mário Abdo Benitez (Paraguai). Suriname, Guiana, Bolívia e Uruguai, os dois últimos com governos politicamente de esquerda, enviaram diplomatas.
A cúpula se destina a criar um novo bloco regional, chamado de ProSul (Progresso da América do Sul), mais identificado com governos de direita. Ao abrir o encontro, Piñera disse que o ProSul será um foro “sem burocracia nem ideologia” e que terá “compromisso com democracia, liberdade e respeito aos direitos humanos”. “Isso não é ideologia, são princípios, valores”, afirmou Piñera.
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, chegou à reunião de cúpula às 11h13, hora de Santiago, e foi recebido por Piñera na entrada do Palácio de La Moneda. Em seguida, passou as tropas em revista e uniu-se aos demais para o começo da reunião de cúpula. No sábado (23), Bolsonaro fará uma visita de Estado a Piñera.
A presença do brasileiro no Chile provocou protestos de vários parlamentares de partidos de esquerda e de centro esquerda. O presidente do Senado chileno, Jaime Quintana, e o presidente da Câmara dos Deputados, Ivan Flores, avisaram que não vão comparecer ao almoço em homenagem ao presidente brasileiro oferecido pelo presidente Piñera. Para esta sexta, várias entidades de defesa dos direitos humanos convocaram protestos de rua contra a presença de Bolsonaro no país.
