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Em uma cena que remete à lendária fotografia tirada pela Apollo 8 em 1968, a tripulação da missão Artemis II registrou um momento único – o planeta Terra pondo-se no horizonte lunar. As imagens, divulgadas pela Nasa nessa terça-feira (7/4), capturam o azul do nosso planeta contrastando com a superfície árida da Lua, em um registro que já é considerado histórico.
Confira:
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A foto mais emblemática da série evoca diretamente a imagem feita pelo astronauta Bill Anders em 24 de dezembro de 1968, durante o primeiro sobrevoo tripulado da Lua. Na época, a foto da Apollo 8, intitulada “Earthrise” (“Nascer da Terra”), tornou-se um símbolo da exploração espacial e foi incluída na lista das “Cem fotografias que mudaram o mundo”, da revista Life.

Os quatro astronautas da Artemis II – os norte-americanos Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen – iniciaram nesta terça-feira o retorno à Terra após uma missão repleta de marcos.
Koch, a primeira mulher a sobrevoar a Lua, resumiu o sentimento da tripulação em uma mensagem: “Voltaremos. Seremos uma inspiração, mas sempre escolheremos a Terra”.
Durante quase sete horas, os astronautas observaram a Lua de uma perspectiva inédita – a 6,5 mil quilômetros de distância. “Este é um dia histórico, e sei o quão ocupados estarão, mas não se esqueçam de desfrutar da vista”, disse Jim Lovell, membro da Apollo 8, em uma gravação transmitida à tripulação antes de seu falecimento em agosto de 2025.
Além das imagens, a Artemis II também entrou para a história por outro motivo – seus tripulantes são os seres humanos que viajaram mais longe no espaço. A missão alcançou 406.771 quilômetros da Terra, superando em 6 mil quilômetros o recorde da Apollo 13, estabelecido em 1970.
O feito foi celebrado pela Nasa e pelo presidente americano Donald Trump, que classificou a missão como “um motivo de orgulho para todos os Estados Unidos” durante um telefonema aos astronautas.
Boneco de neve na Lua
Durante 40 minutos em órbita lunar, a tripulação descreveu as paisagens com entusiasmo. Victor Glover, o primeiro astronauta negro a participar de uma missão lunar, comparou uma cratera dupla a “um boneco de neve” e admitiu: “É realmente difícil de descrever. É incrível”.
Os astronautas também testemunharam fenômenos raros, como um eclipse em que a Lua bloqueou o Sol – um espetáculo que Glover descreveu como “digno de ficção científica”. Outro momento marcante foi a observação de regiões do lado oculto da Lua que nunca haviam sido vistas iluminadas durante as missões Apollo.
A tripulação ainda fez um pedido especial à Nasa– nomear duas crateras lunares. Uma delas seria batizada de “Integrity”, em homenagem à nave espacial, enquanto a outra levaria o nome de Carroll Taylor Wiseman, esposa falecida do comandante da Artemis II.
A cápsula Orion, com os quatro astronautas a bordo, está prevista para pousar no Oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, na sexta-feira (10). O sucesso da Artemis II abre caminho para uma nova missão, programada para o próximo ano, com o objetivo de levar astronautas de volta à superfície lunar em 2028.
