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Mundo

Por acesso ao Mar Negro, russos tentam dominar 4 cidades ucranianas

Tropas e tanques da Rússia têm se concentrado em ataques a Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson

12/03/2022 02:00
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Stringer /Agência Anadolu via Getty Images
Tanque de guerra Russo que invadiu a Ucrânia- Metrópoles

Cercar, isolar e tomar o poder. Assim tem sido a estratégia do exército russo na guerra. Ao invadir o território ucraniano, em 24 de fevereiro, a Rússia planejou dominar cidades-chaves para ganhar acesso ao Mar Negro.

Vladimir Putin já exercia influência na Crimeia, região anexada à Rússia em 2014 quase sem resistência. Na guerra de agora, usou a região de Donbass, onde estão as separatistas Lugansk e Donetsk, para avançar com suas tropas. Além disso, “sufocou” a Ucrânia pela fronteira com Belarus, do outro lado.

Agora, o conflito armado tem se entrincheirado em linha linha reta ligando quatro cidades ucranianas. Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson. Kiev, a capital, está sob ataques constantes por ser o coração do poder.

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Usou a região de Donbass, onde estão Lugansk e Donetsk, províncias separatistas durante a invasão
Militares têm se entrincheirado em linha reta ligando quatro cidades ucranianas. Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson
Putin já exercia influencia na Crimeia, região anexada em 2014 à Rússia
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Putin já exercia influencia na Crimeia, região anexada em 2014 à Rússia

Guilherme Prímola/Arte/Metrópoles
Usou a região de Donbass, onde estão Lugansk e Donetsk, províncias separatistas durante a invasão
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Usou a região de Donbass, onde estão Lugansk e Donetsk, províncias separatistas durante a invasão

Guilherme Prímola/Arte/Metrópoles
Militares têm se entrincheirado em linha reta ligando quatro cidades ucranianas. Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson
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Militares têm se entrincheirado em linha reta ligando quatro cidades ucranianas. Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson

Guilherme Prímola/Arte/Metrópoles

O posicionamento das tropas e os ataques a essas regiões dão evidências do planejamento russo. Repare no mapa como a região é estratégica: o acesso ao Mar Negro por essa rota é livre.

O Mar Negro conecta dois continentes: a Europa Oriental e a Ásia Ocidental. Essencial para o comércio mundial, por lá são transportadas muitas mercadorias e pessoas, sendo uma das vias marítimas mais movimentadas do planeta.

Odessa na mira

Se a tendência continuar, Odessa, outra cidade ucraniana do litoral, também entrará nessa rota. O local é estratégico  e já sofreu ataques. Contudo, não foi dominada pelos russos.

Em Odessa, civis treinam defesa e aprendem a usar armas. Os moradores da cidade ucraniana se voluntariaram para aprender a atirar com um policial local.

Como parte da estratégia, três cidades foram bombardeadas pela primeira vez na sexta-feira (11/3). Dnipro, Rivne e Ivano-Frankivsk sofreram ataques, segundo o governo ucraniano.

Ataques

Na tarde de sexta-feira, o governador da região onde está a cidade de Mykolayv, Dennis Kiyanchenko,  anunciou que a Rússia bombardeou o local.

“Estão disparando mísseis mais do que nunca. Prédios residenciais estão pegando fogo novamente, há informações sobre um atropelamento em um dos supermercados”, garantiu.

Mykolayv é mais uma cidade portuária com acesso ao Mar Negro que vem sendo atacada pelos russos. Anteriormente, Mariupol e Kherson foram alvos de ataque.

Investidas

As tropas russas focaram em investidas potenciais contra Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson nos últimos dias. Nesses locais, foram concentrados os principais ataques.

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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
 A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra
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A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra

Anastasia Vlasova/Getty Images
A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito

Agustavop/ Getty Images
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
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A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local

Pawel.gaul/ Getty Images
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
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Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km

Getty Images
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
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Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
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Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país

Poca/Getty Images
A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro
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A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro

Kutay Tanir/Getty Images
Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta
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Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta

OTAN/Divulgação
Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território
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Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território

AFP
Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território
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Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território

Elena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado
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Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado

Will & Deni McIntyre/ Getty Images
O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles
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O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles

Vostok/ Getty Images
Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo
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Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Kharkiv sofre sucessivos bombardeios e está sitiada pelos militares de Putin. Em Kherson, o exército invasor diz ter conseguido o controle do poder.

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Otan, entidade militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possibilidade como uma ameaça à sua segurança.