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O presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, foram o centro das atenções em todo mundo durante a cúpula histórica entre Estados Unidos e Coreia do Norte nesta terça-feira (12/6). A audiência global, de Washington a Pyongyang, acompanhou o tête-à-tête antes inconcebível diante das ameaças de guerra nuclear e troca de insultos.

Mas o que de fato surgiu, além do espetáculo em si? E quais foram os momentos que cravaram a história do século 21?

Depois da primeira sessão de conversas entre Trump e Kim Jong-un pessoalmente, seus assessores se reuniram para continuar o trabalho dos líderes. Segundo Trump, os resultados foram “melhores do que qualquer um esperava” e um documento seria assinado em breve. Este foi o primeiro resultado concreto da reunião.

O conteúdo do documento foi divulgado antes da entrevista coletiva do presidente americano, mas poucos detalhes foram revelados. Nele, Trump dá “garantias de segurança” a Pyongyang e Kim reafirma a “completa desnuclearização da Península Coreana”.

Durante a coletiva, Trump foi além, afirmando que Washington interromperá os jogos de guerra ao lado do governo sul-coreano. A fala é de grande importância, visto que os exercícios militares dos EUA e Coreia do Sul enfurecem Pyongyang. As atividades são vistas por Kim como um ensaio para derrubar sua dinastia.

Ditador na Casa Branca
Trump acrescentou querer enviar os soldados americanos no território sul-coreano de volta para casa. Atualmente, quase 30 mil homens estão alocados no país. O presidente dos EUA também relatou que Kim concordou em destruir um dos principais campos de testes nucleares norte-coreanos.

Segundo o líder norte-americano, o processo de desnuclearização começará “muito rapidamente”. Ele acrescentou que desenvolveu um “laço muito especial” com Kim. Trump disse ainda que convidaria o norte-coreano para a Casa Branca. Kim ignorou as perguntas sobre a possibilidade de viajar a Washington, mas Trump afirmou posteriormente que Kim havia aceitado o convite.

O norte-coreano declarou que o mundo “verá uma grande mudança” e Washington e Pyongyang decidiram “deixar o passado para trás”. Os dois se cumprimentaram e se despediram sem o auxílio de intérpretes ao final da cúpula.

O que acontece agora? Os dois se encontrarão novamente? Segundo declaração tripla envolvendo EUA, Coreia do Sul e Coreia do Norte, o próximo passo possível é a assinatura do fim formal da Guerra da Coreia, e a China deve estar presente neste momento.

O cumprimento
No início do dia, nesta terça-feira (noite de segunda-feira em Brasília), coreógrafos e equipes de protocolo fizeram seus trabalhos: os dois líderes chegaram juntos ao endereço da reunião, depois de terem saído de seus respectivos hotéis. O encontro começou às 9h (horário local), nos pórticos do hotel Capella, quando os dois se deram mãos.

O cumprimento durou cerca de 13 segundos. Não foi um aperto de mãos forte como o que aconteceu entre Trump e o presidente francês, Emmanuel Macron, mas foi caloroso. Trump estendeu o braço primeiro e Kim copiou o gesto. Em seguida, os dois se viraram para os fotógrafos.

Depois de aperto de mãos, Kim e Trump posaram brevemente para fotos antes de reunião a portas fechadas no Capella Hotel. “Vamos resolver um grande problema”, declarou Trump. “Excelente relacionamento”, ressaltou.

Kim seguiu seu otimismo, acrescentando que não foi fácil chegar até o momento da cúpula. “Houve obstáculos, mas nós os superamos para estar aqui”, disse. Traduzido pelo intérprete, o líder norte-coreano disse que a realidade geopolítica atual já parece um universo paralelo. “Muitas pessoas no mundo verão isso como uma cena de filme de ficção científica”.

Atrás dos dois líderes, uma fileira de bandeiras dos EUA e da Coreia do Norte se alinhavam lado a lado, em pé de igualdade. Foi uma das mais impressionantes imagens do encontro para os espectadores coreanos – acostumados a enxergar a bandeira americana como a bandeira do mal.

Em um momento curioso, Trump mostrou a Kim o interior de sua limusine presidencial, chamada “The Beast”, enquanto os dois passeavam após o almoço. O norte-coreano sorria enquanto olhava o veículo, curiosamente.

As lágrimas de Rodman
Usando um grande boné vermelho com os dizeres Make America Great Again (Fazer a América Grande de novo), o ex-astro do basquete Dennis Rodman, conhecido de Kim Jong-un e antigo participante do reality show de Trump, chorou durante uma transmissão ao vivo pela CNN.

Emocionado, Rodman disse ter recebido uma ligação da Casa Branca antes da cúpula e foi informado de que o presidente estava orgulhoso de seu trabalho. Segundo disse Rodman, o elogio estava relacionado à situação com a Coreia do Norte. O ex-atleta aproveitou para criticar o antecessor de Trump, afirmando que o ex-presidente Barack Obama o ignorou quando ele voltou de Pyongyang com uma mensagem de Kim Jong-un para Washington.