Maduro corta relações diplomáticas com EUA: “Aqui vamos ao combate”

Considerado "usurpador", presidente em segundo mandato deu prazo de 72h para diplomatas norte-americanos deixarem a Venezuela

MARTIAL TREZZINI/KEYSTONE/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOMARTIAL TREZZINI/KEYSTONE/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 23/01/2019 21:54

Em discurso ao vivo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou o rompimento das relações diplomáticas e políticas com os Estados Unidos. O político deu 72 horas para que todo o pessoal diplomático norte-americano deixe o país.

Desde 2010, Estados Unidos e Venezuela não têm embaixadores nos respectivos países. Hoje, o chefe da representação diplomática americana na capital venezuelana é o encarregado de negócios James Story.

“Aqui há dignidade, carajo! Aqui há povo para se defender!”, disse Maduro, que convocou o povo a combater o “inimigo imperialista”. “Aqui não se rende ninguém, aqui não foge ninguém. Aqui vamos à carga. Aqui vamos ao combate. E aqui vamos à vitória da paz, da vida, da democracia”, acrescentou.

Nesta quarta-feira (13/1), o presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, Juan Guaidó, declarou-se o presidente interino do país e pediu apoio da população e dos militares. Brasil, EUA, Argentina e Canadá estão entre as nações que já reconheceram nesta tarde Guaidó no comando do país.

Apoio chavista
Maduro discursou do Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, ao lado da mulher e de assessores. O prédio estava cercado por apoiadores no momento do pronunciamento. Com um discurso emocional, Maduro ressaltou que foi eleito legitimamente e anunciou o rompimento das relações políticas e econômicas com os Estados Unidos.

“Governar cada vez mais das ruas e perto do povo para resolver todos os assuntos […] Peço a todos, vamos fortalecer a legitimidade e o poder do Estado em defesa da paz e da democracia venezuelana”, disse, e convocou os chavistas a se mobilizarem. “Leais sempre, traidores nunca”, exaltou.

Ele aproveitou para atacar o governo do Equador, comandado por Lenín Moreno. Segundo Maduro, o país promove ações de discriminação contra os imigrantes venezuelanos que buscam refúgio na região. E disse que só pode ser destituído pela população de seu país: “O povo é o único que elege presidente na Venezuela. Só o povo pode, só o povo tira. Não queremos voltar ao século 20 de golpes de Estado. O povo venezuelano diz não ao golpismo”.

Confronto nas ruas
Ao longo do dia, contudo, milhares de manifestantes foram às ruas pedir a renúncia de Maduro. Na Venezuela, os atos começaram sem confrontos, mas, na parte da tarde, forças de segurança reprimiram os participantes com gás lacrimogêneo, disparos e, segundo relatos, jogando motos contra a multidão.

Chavistas também realizam atos em apoio a Maduro: já houve confrontos com os opositores. Os aliados procuram dar um impulso ao questionado segundo mandato de seis anos iniciado por Nicolás Maduro em 10 de janeiro, considerado ilegítimo por EUA, União Europeia (UE) e vários outros países da América Latina. (Com agências)

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