Bolsonaro: “Brasil não tem lado na guerra comercial entre EUA e China”

Presidente está em Osaka, no Japão, para participar de reunião do G20 e terá reuniões bilaterais com Donald Trump e Xi Jinping

Alan Santos/Presidência da RepúblicaAlan Santos/Presidência da República

atualizado 27/06/2019 13:48

Enviada especial a Osaka (Japão) – Ao chegar a Osaka, no Japão, para participar da reunião de cúpula do G20, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que o Brasil não tem “lado” na guerra comercial travada entre as duas maiores potências econômicas do planeta: China e Estados Unidos. Os dois governos vêm, reciprocamente, impondo tarifas e sanções a produtos de exportação, em um acirramento de práticas protecionistas com impactos na economia mundial. Bolsonaro apontou que o Brasil até poderia tirar partido da situação para exportar mais para o país asiático, mas que tem trabalhado pela “paz e harmonia”.

“A gente não quer que haja briga para poder se aproveitar. Estamos buscando paz aqui, harmonia”, afirmou o presidente, manifestando uma posição equidistante na disputa entre os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Também a agenda do mandatário brasileiro no G20 está equilibrada entre os dois lados da disputa. Ele terá reuniões bilaterais separadas com os presidente dos dois países: o norte-americano Donald Trump, nesta sexta-feira (28/06/2019), e o chinês Xi Jinping, no sábado (29/06/2019). Questionado sobre os assuntos que tratará com Trump, Bolsonaro disse que por ser um encontro “reservado”, não poderia adiantar os temas discutidos.

Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro falou várias vezes da admiração por Trump. Ele esteve em março nos Estados Unidos, quando pediu o apoio do norte-americano para o Brasil entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Trump declarou apoio ao pleito brasileiro. Em relação a China, Bolsonaro afirmou durante a campanha que o país estava “comprando o Brasil”, o que não seria permitido na atual gestão.

Veja imagens do presidente em Osaka:

Recentemente, porém, foram emitidos sinais de aproximação. O vice-presidente Hamilton Mourão foi a Pequim, em maio, para participar de reunião da Comissão Sino-Brasileira de Concertação e Cooperação. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, apoiou a eleição do vice-ministro da Agricultura da China, Qu Dongyu, para a direção-geral da FAO (órgão das ONU para agricultura e alimentação), em substituição ao brasileiro José Graziano, que estava no cargo desde 2011. Além disso, Bolsonaro deve ir a Pequim no segundo semestre para uma visita ao presidente chinês Xi Jinping.

Desdobramentos
A aplicação de tarifas e sanções pelos países tem múltiplos desdobramentos: acirra tensões geopolíticas, diminui o crescimento mundial e há até mesmo o temor de que as práticas protecionistas e isolacionistas possam provocar uma recessão em escala global. Por isso mesmo, é grande a expectativa nesta cúpula do G20 de um encontro entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping que resulte em algum tipo de acordo para aliviar as tensões nos mercados internacionais.

E por que o Brasil deveria manter equidistância entre os dois pólos da disputa? Os números falam por si. A China é o destino de cerca de 30% das exportações brasileiras, tem o maior mercado consumidor do mundo e oferece grandes possibilidades de investimento em infraestrutura. Por outro lado, os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial mais importante para o Brasil.

Bolsonaro disse ainda, em Osaka, que trabalha por um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Os termos têm sido negociados há vários anos e é grande a expectativa de um anúncio sobre esse acordo. Mesmo com críticas à situação do desmatamento no Brasil, a chanceler alemã, Angela Merkel, ressaltou que o assunto não deve comprometer a conclusão de um acordo comercial. Merkel disse ter interesse em uma conversa “clara” sobre a questão ambiental com Bolsonaro.

O presidente brasileiro, em entrevista ao chegar a Osaka, rebateu as críticas de Merkel e afirmou que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil na área ambiental. Ele disse que não foi ao G20 para ser “advertido”por nenhum outro país.

Além das reuniões bilaterais com Trump e Xi Jinping, Bolsonaro terá encontros com o anfitrião do G20, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e com o primeiro-ministro de Singapura, Lee Hsien-Leong. Nesta sexta-feira (28/06/2019), o primeiro compromisso será com o secretário-geral da ODCE, José Angel Gurria, para tratar da entrada do Brasil na OCDE.

O presidente Bolsonaro saiu para dar uma caminhada pelas ruas próximas ao hotel Saint Regis, onde está hospedado, em Osaka. Apesar do tempo chuvoso, ele caminhou durante uma hora e meia, acompanhado do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. Ele foi reconhecido por japoneses e parou para tirar fotos e receber cumprimentos.

Últimas notícias