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Pioneira no futebol e "amiga" do Brasil, Escócia sonha com vitória

Ao Metrópoles, diplomata da Escócia comentou sobre as expectativas do retorno da seleção escocesa a Copa do Mundo após 28 anos

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Robbie Jay Barratt - AMA/Getty Images
Jogadores da Escócia comemorando gol diante da Dinamarca

Considerado um dos berços do futebol, a Escócia enfrenta o Brasil nesta quarta-feira (24/6), pela última rodada do Grupo C, em Miami, com chances de classificação para a próxima fase da Copa do Mundo 2026.

Ao todo, a seleção escocesa participou de nove edições do torneio, sendo a última delas em 1998.

Na sua história em Copas, a Escócia enfrentou o Brasil em quatro ocasiões — sem ter conquistado uma vitória até o momento.

Em entrevista ao Metrópoles, a diplomata escocesa Cara Garven comentou sobre a relação do país com o futebol, as expectativas para a Copa do Mundo 2026 e as conexões entre Escócia e Brasil. Confira na íntegra:

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Escócia está no Grupo do Brasil na Copa.
Lance em disputa na partida entre Escócia e Marrocos na Copa do Mundo
Pioneira no futebol e “amiga” do Brasil, Escócia sonha com vitória - imagem 4
Cara Garven é diplomata da Escócia e atua na Embaixada do Reino Unido no Brasil
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Cara Garven é diplomata da Escócia e atua na Embaixada do Reino Unido no Brasil

Material cedido ao Metrópoles
Escócia está no Grupo do Brasil na Copa.
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Escócia está no Grupo do Brasil na Copa.

Visionhaus/Getty Images
Lance em disputa na partida entre Escócia e Marrocos na Copa do Mundo
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Lance em disputa na partida entre Escócia e Marrocos na Copa do Mundo

Buda Mendes/Getty Images
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Alamy Live News

Qual é a relação da Escócia com o futebol? 

Eu diria que é uma relação profundamente apaixonada, emocional e histórica. A Escócia foi uma das pioneiras do futebol internacional. Nós jogamos uma das primeiras — acho que a primeira — partida internacional da história, lá em 1872. Mas, na verdade, o futebol na Escócia tem a ver com comunidade. É uma parte enorme da identidade e do estilo de vida das pessoas.

Onde eu cresci, na costa oeste da Escócia, as crianças jogavam futebol o dia todo, a noite toda, nas ruas, nos parques, muitas vezes sem o uniforme ou equipamento adequado, geralmente na chuva, mas jogando o dia inteiro de qualquer maneira.

Esse estilo de futebol de rua, cultivado na comunidade, acabou produzindo talentos incríveis. Na pequena área onde cresci, dois dos atuais jogadores da seleção nacional são de lá, e o treinador, Steve Clarke, é da minha cidade natal.

A Escócia não disputa uma Copa do Mundo desde 1998. Qual é o sentimento do país de estar de volta ao maior palco do futebol mundial? 

Eu diria apenas: orgulho imenso e entusiasmo. Foram 28 longos anos desde que a Escócia se classificou para a Copa do Mundo. Então, todos estão incrivelmente e extremamente animados. Tem havido cenas incríveis vindas de Boston, com milhares de torcedores escoceses tocando gaitas de foles, cantando músicas e fazendo festas de rua com os moradores locais americanos.

Isso resume o que é o futebol escocês: um verdadeiro senso de diversão, entusiasmo e energia.

Brasil e Escócia já se enfrentaram quatro vezes em mundiais, com um empate e três vitórias para os brasileiros. Você acredita que com o atual time escocês vai conseguir a primeira vitória sobre a Seleção Brasileira?

O Brasil é, obviamente, uma das nações de futebol mais icônicas do mundo. Sempre houve um enorme sentimento de admiração e respeito pelo Brasil. Qualquer oportunidade de jogar contra o Brasil é incrivelmente emocionante, e a atmosfera será absolutamente elétrica de ambos os lados, não importa o que aconteça.

Dito isso, somos uma nação muito consciente de nossas limitações. Ficamos felizes em vencer o Haiti, mas foi um jogo muito difícil, e sabemos que o Brasil será um desafio ainda maior.

Ainda assim, eu diria para nunca descartar a Escócia completamente. Às vezes eles [jogadores] podem fazer um milagre. Estamos esperançosos, mas com os pés no chão.

Apesar de não ser uma das seleções mais tradicionais na Copa do Mundo, a Escócia tem um futebol interno muito forte, sendo um dos exemplos o clássico entre Rangers e Celtics. Isso demonstra a paixão da população pelo futebol? 

Dizer “paixão” provavelmente é um eufemismo. A rivalidade entre Rangers e Celtic é uma das mais famosas do mundo, conhecida como Old Firm. Ela vai muito além do futebol, e está profundamente ligada à história social e cultural de Glasgow e da Escócia, e enraizada no estilo de vida das pessoas por todo o país.

Quais são as expectativas para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México? Acredita que a Escócia vai passar da primeira fase? 

Sim, acho que esses jogadores podem fazer a diferença. Temos jogadores incríveis se destacando na Premier League. Temos o “Super” John McGinn, capitão do Aston Villa; Andy Robertson, famoso no Liverpool; e alguns jogadores estão se saindo muito bem no Napoli, como Billy Gilmour e Scott McTominay.

Essa nova geração criou muito entusiasmo. Além disso, um ponto forte da Escócia é que muitos desses jogadores se conhecem muito bem há muito tempo. Alguns cresceram juntos — vários da minha cidade natal.

Isso dá a eles um senso de equipe muito forte, e nos dá a maior fé que já tivemos em muito tempo. Eles estão lá por mérito, após uma excelente fase de qualificação, incluindo momentos icônicos como o jogo contra a Dinamarca. Certamente é a nossa melhor chance em muito tempo.

Como andam as relações entre Brasil e Escócia fora de campo?

A relação entre o Brasil e o Reino Unido como um todo é vista de forma mais ampla (Reino Unido, e não apenas a Escócia especificamente). Há muita coisa acontecendo em várias áreas. Especificamente sobre a Escócia, os brasileiros têm um grande apreço pelo whisky escocês.

Além disso, o Reino Unido e o Brasil celebraram 200 anos de relações bilaterais no início deste ano, e assinaram uma nova parceria estratégica que estabelece um nível de ambição ainda maior para o que querem fazer juntos.

Dentro dessa relação Reino Unido-Brasil, há uma conexão muito especial entre o Brasil e a Escócia.

O clima de Copa do Mundo na Escócia é igual ao do Brasil? 

É muito parecido com o Brasil. Estar na Copa do Mundo é um evento enorme. Inclusive, o rei concedeu um feriado nacional na Escócia no dia seguinte ao nosso primeiro jogo contra o Haiti, porque a partida foi de madrugada (manhã de segunda-feira) para quem assistia na Escócia e no Reino Unido.

Temos tradições parecidas: os dias de jogo são um evento enorme, com torcedores de todas as gerações viajando juntos em ônibus de torcidas, cantando e criando um clima de festa.

Há poucas semanas, saiu um documentário incrível na BBC, onde um dos comediantes escoceses mais queridos, Kevin Bridges, viaja ao Brasil, conhece o Cafu e fala sobre como todos na Escócia cresceram completamente obcecados por Cafu, Ronaldo e Ronaldinho.

Outra conexão histórica interessante é que um escocês chamado Thomas Donohoe é amplamente reconhecido por ajudar a introduzir o futebol no Brasil no século XIX, e há até uma estátua dele, o que é uma ligação muito especial.

No Brasil muitos torcedores “adotam” seleções de países vizinhos quando a Seleção é eliminada, ou não participa de alguma competição. Na Escócia essa torcida vai para a Inglaterra? 

Existe muita rivalidade entre Escócia e Inglaterra, mas geralmente é tudo na brincadeira. Eu certamente estarei torcendo para a Inglaterra se eles foram para a final.

Mas, na verdade, a Escócia torceria pelo Brasil. Como eu disse, os torcedores escoceses sempre foram completamente obcecados pelo Brasil, então se tivessem que escolher uma segunda seleção para torcer, com certeza seria o Brasil.

Qual o seu palpite para o jogo contra a Seleção Brasileira? 

Ficaríamos incrivelmente gratos com um empate ou, idealmente, uma vitória. Mas acho que todos nós vamos assistir ao jogo com muito, muito nervosismo.