Peña publica "despedida" e diz que renunciou para evitar danos ao Paraguai
Em publicação nas redes sociais, ex-presidente do Paraguai afirmou que não queria ser motivo de divisão ou instabilidade no país

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou nesta sexta-feira (6/11) uma mensagem de “despedida” nas redes sociais e afirmou que decidiu renunciar ao cargo a fim de evitar novos danos ao país. Segundo ele, sua permanência na Presidência poderia contribuir para aumentar a divisão e a instabilidade política.
A postagem foi feita antes do final da sessão do Senado paraguaio, que decidiu, por unanimidade, aprovar o impeachment de Peña. A renúncia apresentada por ele, nessa quinta-feira (5/11), foi ignorada pelo Congresso, que optou por dar andamento ao processo de impeachment.
Peña alega que apresentou a renúncia para ajudar a devolver a tranquilidade ao país. O agora ex-presidente também pediu união entre os paraguaios para reconstruir as instituições e recuperar a confiança da população.
“Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai. Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal”, escreveu.
Na mensagem, Peña também afirmou que deixa o cargo com gratidão, mas reconheceu a preocupação da população diante da crise. “Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam respostas”, declarou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPresenté mi renuncia para evitar más daño al país y contribuir a devolverle la tranquilidad al Paraguay. No quiero que mi presencia sea motivo de mayor división o inestabilidad. Mi responsabilidad es poner al país por encima de mi destino personal.
Hoy nos toca unirnos como paraguayos para reconstruir la institucionalidad y recuperar la confianza. Me despido con gratitud, sin desconocer la angustia de quienes hoy esperan respuestas. Es momento de unir esfuerzos para reconstruir la institucionalidad y atender, con hechos y responsabilidad, a quienes están siendo afectados.
Que Dios bendiga al Paraguay.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
Crise no Paraguai
- O Ueno Bank, instituição financeira digital, teve as operações suspensas em 3 de novembro pelo Banco Central do Paraguai.
- A autoridade monetária considerou o banco insolvente, ou seja, incapaz de honrar seus compromissos financeiros, e iniciou um procedimento de resolução.
- O Ministério Público paraguaio pediu a abertura de uma investigação criminal sobre a instituição e a prisão de dirigentes.
- As apurações envolvem suspeitas sobre a gestão do banco e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, que teriam comprometido o patrimônio da instituição.
- Carlos Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir a autoridade monetária, ele havia presidido o Ueno Bank.
- Peña também foi atingido pela crise e se tornou alvo de um pedido de impeachment.
- O ex-presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo controlador do banco, até março de 2025.
Impeachment de Santiago Peña
Peña anunciou a renúncia à Presidência na quinta-feira (5/11), diante do avanço de um pedido de impeachment no Congresso paraguaio. Cerca de uma hora após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo, com 78 votos favoráveis.
Nesta sexta-feira (6/11), o Senado paraguaio aprovou o impeachment do ex-presidente. A votação terminou com 44 votos favoráveis à destituição e uma abstenção. Eram necessários dois terços dos votos dos senadores para aprovar a medida.
Antes da sessão, Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa contra as acusações, mas o pedido foi negado.
