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O veredito do primeiro julgamento do escândalo de violências sexuais contra crianças em pré-escolas de Paris está marcado para o dia 7 de julho. No processo, um monitor parisiense acusado de agressões sexuais contra nove crianças foi alvo, na terça-feira (26/5), de um pedido de pena de três anos de prisão, sendo um ano com uso de tornozeleira eletrônica, apresentado pelo Ministério Público de Paris.
Em meio ao aumento das denúncias, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, pediu nesta quarta-feira (27/5) um “despertar coletivo” para que a palavra das crianças seja ouvida.
David G., de 36 anos, que está em prisão preventiva há quase um ano, é acusado de agressões sexuais durante atividades extracurriculares contra nove crianças da escola Alphonse Baudinem, uma pré-escola do 11º distrito, entre setembro de 2024 e abril de 2025, quando foi suspenso pela prefeitura de Paris.
O Ministério Público o processa por cinco desses casos, enquanto famílias de outras quatro crianças recorreram diretamente à Justiça.
O réu nega qualquer gesto de natureza sexual, afirmando que “é preciso ser psicopata para fazer isso”. Ele reconhece apenas eventuais “inadequações”, como carregar crianças no colo ou deixá-las sentar em seu colo, além do uso de apelidos em francês associados a contextos afetivos como mon amoureuse (minha namorada), ma chérie (minha querida) e mon bébé (meu bebê).
Normalmente restritas ao sigilo, audiências envolvendo violência sexual contra menores atraíram dezenas de jornalistas e civis. Cerca de 20 pais de alunos acompanharam a sessão na terça-feira. O réu, que se apresenta como jornalista freelancer e afirma manter um canal no YouTube, declarou-se “totalmente inocente” e disse nunca ter tido “qualquer gesto de natureza sexual”.
Ao rebater as acusações, David G. afirmou que eventuais comportamentos poderiam ser atribuídos à “falta de formação”. “Com o tempo, percebi que não deveria ter deixado crianças sentarem no meu colo, isso pode dar margem a interpretações”, disse no tribunal.
A defesa do homem apontou uma “falha do sistema educacional” e defende que o réu “não recebeu as ferramentas necessárias para trabalhar com crianças”.
Depoimentos convergentes
Sem testemunhas adultas diretas ou provas materiais, a acusação se baseia principalmente em depoimentos de crianças de 3 a 5 anos que relataram, com suas próprias palavras, toques em partes íntimas. Uma menina afirmou que o acusado tocava suas nádegas com uma colher na biblioteca da escola. “Esse tipo de brincadeira é extremamente grave. Isso é realmente pedofilia”, disse o próprio réu em audiência, ao comentar o relato.
Após seu depoimento, pais e mães passaram a falar em nome das crianças. Uma das mães descreveu uma mudança radical no comportamento do filho poucos meses após o início das aulas.
Para o Ministério Público, “crimes sexuais contra menores destroem a relação de confiança”, baseado nisso, a promotoria pediu a condenação de David.
“Uma criança dessa idade não inventa uma cena de abuso sexual. Pode se confundir em detalhes, mas não quanto à natureza dos fatos”, afirmou a advogada que representa a maioria das famílias no caso de David G.
“Devemos despertar coletivamente para que as crianças sejam ouvidas e as vítimas estejam no centro do processo penal”, afirmou o ministro Gérald Darmanin.
Repercussões do escândalo
Desde o início de 2026, 78 funcionários da prefeitura de Paris foram suspensos – 31 por suspeitas de violência sexual – números que, segundo o prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, evidenciam um problema de caráter “sistêmico”.
Nos últimos meses, pais têm denunciado casos de maus-tratos e abusos sexuais no período extracurricular. O Ministério Público investiga possíveis ocorrências em 84 escolas de educação infantil, cerca de 20 escolas de ensino fundamental e uma dezena de creches.
Outro caso recente envolve o brasileiro C., de 51 anos, que permanece em prisão preventiva desde a semana passada. Ele é suspeito de envolvimento em abusos sexuais contra crianças em outras escolas de Paris.
Até o momento, a defesa do brasileiro não respondeu aos contatos da nossa reportagem sobre o caso, revelado pela RFI na sexta-feira (22), dia em que o homem foi detido, juntamente com outro suspeito de nacionalidade camaronesa.
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