Países se reúnem para discutir possível missão militar em Ormuz
Reunião presidida pelo Reino Unido e França tem como objetivo discutir um possível plano militar para furar o bloqueio do Irã em Ormuz
atualizado
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Mais de 40 países se reúnem nesta terça-feira (12/5), sob a liderança do Reino Unido e França, para discutir os preparativos de uma possível missão militar que interrompa o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz.
O que é o Estreito de Ormuz?
- Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz é uma via marítima que banha partes da região costeira do Irã, Emirados Árabes Unidos e Omã.
- Por lá, cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente é transportado.
- Em resposta aos ataques dos EUA e Israel, o Irã bloqueou parcialmente a passagem no fim de fevereiro.
- No momento, apenas navios que não possuam ligações com os EUA e Israel têm sinal verde para transitar em Ormuz. Isso, porém, mediante ao pagamento de uma taxa.
- Devido ao bloqueio no local, o mercado do petróleo entrou em crise. Atualmente, o barril do combustível tipo brent, utilizado como referência internacional, é comercializado acima da casa dos U$ 100 dólares.
Este será o segundo encontro entre as nações que concordaram com a missão multinacional. Desta vez, porém, os países serão representado por seus respectivos ministros da Defesa. A reunião acontece em formato virtual.
De acordo com o governo britânico, as discussões serão voltadas para planejamentos para a futura missão, ainda sem data definida, para “restaurar a confiança na navegação comercial ao longo dessa rota comercial crucial”.
“Estamos transformando acordos diplomáticos em planos militares práticos para restaurar a confiança na navegação pelo Estreito de Ormuz. Quando eu copresidir esta reunião de nações de todo o mundo, nossa tarefa será garantir que não estejamos apenas falando, mas que estejamos prontos para agir”, disse o secretário da Defesa do Reino Unido, John Healy, na segunda-feira (11/5).
Os esforços liderados pelo Reino Unido e França foram anunciados em 13 de abril. A missão foi descrita pelo presidente francês, Emmanuel Macron, como “estritamente defensiva”, e que deve ser implantada “quando a situação permitir”.
Ainda que a operação não tenha data definida para sair do papel, forças britânicas já se posicionam na região. No sábado, o governo do Reino Unido anunciou o envio do navio de guerra HMS Dragon para o Oriente Médio. O mesmo já havia sido deslocado para o Mediterrâneo em março, após uma base militar do país no Chipre ter sido atacada por drones.
Parcialmente bloqueado desde o início da guerra com os EUA e Israel, o Estreito de Ormuz é um importante ponto de escoamento do petróleo mundial. É por lá que cerca de 20% do combustível produzido no mundo é transportado. O local, porém, segue sendo controlado pelo Irã.
Desde então, um regime especial foi adotado em Ormuz pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC). Em meio a crise no petróleo provocada pelo bloqueio — que já é comercializado acima da casa dos U$ 100 dólares —, autoridades do Irã impuseram uma taxa para navios que desejam passar pela região.
A medida, no entanto, só é válida para cargueiros que não possuem ligações com os EUA e Israel. Com o pagamento da taxa, embarcações ligadas ao Paquistão, China, Iraque e Catar já passaram por Ormuz. Um navio graneleiro, com bandeira do Panamá, também atravessou o canal no último domingo (10/5) com destino ao Rio Grande do Sul, no Brasil.
Fracasso nas negociações e em missão dos EUA
O movimento iniciado pelo Reino Unido e França surge em meio nas negociações entre EUA e Irã, assim como em uma missão militar norte-americana, anunciada por Trump, em Ormuz.
Em 1º de maio, o governo iraniano, por meio do Paquistão, enviou uma proposta de 14 pontos para os EUA. Ela foi respondida pela administração norte-americana dias depois, e uma contraproposta foi apresentada pelo Irã no domingo (10/5).
Os termos do acordo, contudo, foram vistos como inaceitáveis por Trump. Por isso, o presidente dos EUA afirmou que o cessar-fogo com o Irã, em vigor desde 7 de abril, está “por um fio”.
Além das divergências no âmbito diplomático, a possível operação liderada pelo Reino Unido e França coincide com o fracasso de uma missão no Estreito de Ormuz anunciada pelo presidente dos EUA em 3 de maio.
Na época, Trump tornou pública sua ideia do “Projeto Liberdade”, cujo objetivo seria escoltar navios no Estreito de Ormuz. A operação, porém, foi suspensa dois dias depois de ser anunciada.
Enquanto isso, ataques entre Irã e EUA, que também realiza um bloqueio contra portos iranianos, foram registrados no local nos últimos dias.








