Países ocidentais convocam reunião na ONU para debater crise ucraniana

Conselho de Segurança fará encontro emergencial nesta quinta-feira para discutir catástrofe humanitária provocada pela guerra

atualizado 16/03/2022 21:35

Conselho de Segurança da ONU se reúne num amplo salão em Nova Iorque. A mesa onde sentam-se os líderes é circular, a frente de um painel - Metrópoles Reprodução

Países ocidentais convocaram reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater a catástrofe humanitária provocada pela guerra na Ucrânia.

Reino Unido, Estados Unidos, Albânia, França, Noruega e Irlanda pediram a reunião, que foi marcada para a tarde desta quinta-feira(17/3).

“A Rússia está cometendo crimes de guerra e atacando civis. A guerra ilegal da Rússia na Ucrânia é um perigo para todos nós”, justificou a missão diplomática britânica na ONU, em comunicado.

O país liderado por Vladimir Putin já foi duramente criticado no Conselho de Segurança e teve uma resolução que condena a guerra aprovada em uma reunião extraordinária da Assembleia Geral da ONU.

Prejuízos

O governo ucraniano fez novos apelos para um cessar-fogo nesta quarta-feira (16/3). A administração do presidente Volodymyr Zelensky citou o drama dos civis atingidos pela guerra e avisou: reconstruir o país hoje custaria ao menos US$ 500 bilhões.

Para o leitor ter dimensão do impacto do conflito na realidade do país, seriam necessários, na cotação desta quarta do Banco Central do Brasil, cerca de R$ 2,5 trilhões para a reparação.

As primeiras estimativas do impacto econômico e social do conflito entre a Rússia e a Ucrânia começam aparecer. Além das perdas humanas, a Ucrânia estima que ao menos metade das empresas pararam de funcionar no país.

A guerra, de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), ameaça deixar 90% dos ucranianos abaixo da linha da pobreza. A conclusão é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Nos últimos três dias, os bombardeios russos foram intensificados.

Autoridades de segurança ucranianas acusam a Rússia de atacar um teatro em Mariupol que era usado como abrigo para civis. As informações são do conselho da cidade.

Apesar da confirmação do bombardeio, no começo da tarde desta quarta-feira (16/3), a Ucrânia não informou o número de pessoas que poderiam ter sido afetadas e não há registro de mortes. Inicialmente, foi informado que “centenas” de civis estavam no local.

“Outro crime de guerra horrendo em Mariupol. Massivo ataque russo ao Teatro Drama, onde centenas de civis inocentes estavam escondidos. O edifício está agora totalmente em ruínas. Os russos não podiam saber que este era um abrigo civil. Salve Mariupol. Pare os criminosos de guerra russos”, condenou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba.

A Ucrânia vive o 21º dia de ataques. Kiev, capital e coração do poder, e Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana, estão sob forte bombardeio. Civis foram alvejados pelas tropas russas.

Veja o antes e depois:

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A madrugada na Ucrânia seguiu a tendência dos últimos dias: bombardeios massivos e civis na mira das tropas militares. Kiev, capital e coração do poder no país, e cidades do sul ucraniano, que dão acesso ao Mar Negro, importante rota comercial, são as mais afetadas.

A Ucrânia divulgou mais dois ataques a áreas residenciais. Em Kiev, pelo terceiro dia seguido, um prédio civil foi atingido por bombardeios russos. Felizmente, o serviço de emergência ucraniano não registrou mortos. Entretanto, em Kharkiv, a segunda maior cidade, explosões fizeram duas vítimas.

Segundo as autoridades, duas construções residenciais se tornaram alvo no distrito de Nemyshlyansky, em Kharkiv. Com o desmoronamento delas, os bombeiros e socorristas precisaram fazer o resgate de quatro pessoas que ficaram embaixo dos escombros. Duas não resistiram.

Em Kiev, um prédio civil de 12 andares, no distrito de Shevchenkivskyi, foi alvo dos ataques russos. Às 6h16 (horário da Ucrânia), fragmentos de bombas acertaram o local. O último andar foi destruído, assim como uma construção de nove pavimentos ao lado.

Repercussão

Em mais uma investida contra a Rússia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou a criação de uma “aliança militar transatlântica” para mobilizar tropas em defesa da Ucrânia. O acordo ocorre após uma convocação extraordinária dos ministros da Defesa da entidade militar coordenada pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (16/3).

O Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, determinou que o presidente russo, Vladimir Putin, pare imediatamente os bombardeios contra a Ucrânia, iniciados em 24 de fevereiro. A decisão desta quarta-feira é preliminar e basicamente simbólica. Os juízes entendem que ainda precisam de mais elementos para uma condenação final contra a Rússia, mas temem os prejuízos da guerra.

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Mais ajuda dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reagiu com indignação aos ataques contra civis ucranianos e chamou o líder russo de “criminoso de guerra”.

Na tarde desta quarta-feira, após anunciar mais ajuda financeira e militar para o governo ucraniano, o presidente norte-americano foi questionado por repórteres sobre os desdobramentos da guerra e o comportamento de Putin.

“Ele é um criminoso de guerra”, esbravejou. Minutos antes, Biden anunciou ajuda financeira e militar para a Ucrânia, país que enfrenta o 21º dia de guerra. O governo dos EUA doará o valor de US$ 800 milhões.

Biden declarou que não está vendo a Rússia implementar ações para diminuir os ataques. “Putin quer a devastação da Ucrânia. Ele está bombardeando hospitais, escolas… É muito triste. Os russos estavam mantendo pacientes e médicos reféns em Mariupol”, lamentou o chefe da Casa Branca.

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