Orbán: quem é o líder da extrema-direita e como ele governou a Hungria

Viktor Orbán admitiu derrota nas eleições da Hungria e vai deixar o comando do país após quatro mandatos como primeiro-ministro

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Alan Santos/Presidência da República
Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria discursa em púlpito com a bandeira do país atrás. Seu discurso com tendências nazistas levou ministra do governo a renunciar - Metrópoles
1 de 1 Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria discursa em púlpito com a bandeira do país atrás. Seu discurso com tendências nazistas levou ministra do governo a renunciar - Metrópoles - Foto: Alan Santos/Presidência da República

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu, neste domingo (12/4), a derrota nas eleições parlamentares. Desta forma, ele encerra um período de 20 anos à frente do país, após quatro mandatos — um deles entre 1998 e 2002, e outros três consecutivos, entre 2010 e 2026.

Orbán, que tem 62 anos, é um dos principais líderes da extrema-direita global. Formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, é conhecido por visões majoritariamente conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.

Os anos no comando da Hungria ficaram marcados pelo afastamento da União Europeia, aproximação com a Rússia, restrições para a liberdade de imprensa, redução na independência do Poder Judiciário e pela aplicação de uma “agenda anti-LGBT”.

O húngaro ingressou na política no âmbito das Revoluções de 1989. Em 1990, depois da transição da Hungria para uma democracia multipartidária, Orbán foi eleito para a Assembleia Nacional. Depois disto, liderou a bancada parlamentar do Fidesz.

No período que está no poder, foram apontadas deteriorações em instituições democráticas, em especial a imprensa. Orbán e empresários aliados compraram a maior parte dos veículos de mídia independente, que eram taxadas pelo premiê como propagadoras de fake news.

Orbán: quem é o líder da extrema-direita e como ele governou a Hungria - destaque galeria
5 imagens
Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria
Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin
Viktor Orbán e Vladimir Putin
Bolsonaro e Viktor Orban
Viktor Órban é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro
1 de 5

Viktor Órban é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro

Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria
2 de 5

Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria

Alan Santos/Presidência da República
Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin
3 de 5

Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin

Viktor Orbán e Vladimir Putin
4 de 5

Viktor Orbán e Vladimir Putin

Kremlin
Bolsonaro e Viktor Orban
5 de 5

Bolsonaro e Viktor Orban

Marcos Corrêa/PR

 

 

Orbán também foi acusado de aumentar a tributação para emissoras de TV e cortar anúncios do governo, além de ter adotado medidas para dificultar o acesso a informações públicas.

Uma das polêmicas da gestão foi a “agenda anti-gay” do premier. Em dezembro de 2020, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que impede casais do mesmo sexo de adotarem crianças.

O casamento gay é proibido no país, que aprovou uma emenda constitucional que define o casamento como uma instituição exclusiva entre homem e mulher. Sob Orbán, a Constituição húngara define que a “mãe é uma mulher e o pai é um homem”.

Em contrapartida, Orbán passou a enfrentar grande desgaste após anos de estagnação econômica, aumento do custo de vida e críticas sobre o fortalecimento de redes empresariais próximas ao governo.

Relações com Putin e Trump

Crítico às instituições multilaterais, Orbán se posicionou contra a possível adesão da Ucrânia à União Europeia e aproximou a Hungria da Rússia. Em visita a Moscou em novembro de 2025, Orbán encontrou o presidente Vladimir Putin e discutiu sobre o fornecimento de gás e petróleo russo.

No encontro, Putin elogiou a “postura equilibrada” da Hungria sobre a guerra na Ucrânia. Em resposta, Orbán disse que Budapeste não cede à pressão internacional para romper laços estratégicos com Moscou.

O húngaro afirmou que a estabilidade no fornecimento de energia russa é “base da segurança energética” da Hungria e reiterou que o país está “interessado na paz”, oferecendo-se novamente para sediar negociações sobre a Ucrânia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também é um dos principais aliados de Orbán. Na última sexta-feira (10/4), o republicano chegou a afirmar que pode fornecer apoio econômico à Hungria caso o premier fosse reeleito.

“Minha administração está pronta para usar todo o poderio econômico dos Estados Unidos para fortalecer a economia da Hungria, como fizemos por nossos grandes aliados no passado, caso o primeiro-ministro Viktor Orbán e o povo húngaro precisem”, afirmou Trump na Truth Social.

Na última semana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou a Budapeste para endossar o apoio à candidatura de Viktor Orban.

Relação com Bolsonaro

Orbán e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se encontraram pelo menos três vezes. A proximidade fez o brasileiro afirmar que considerava o premier “praticamente um irmão”.

O primeiro dos encontros ocorreu em janeiro de 2019, na posse presidencial de Bolsonaro. No dia seguinte à cerimônia, Orbán foi recebido pelo mandatário brasileiro no Palácio do Planalto.

Em fevereiro de 2022, Bolsonaro viajou para Budapeste, onde teve mais um encontro com Orbán. A última reunião entre os dois ocorreu em dezembro de 2023, durante o evento de posse do presidente da Argentina, Javier Milei.

A relação de Bolsonaro e Orbán ganhou atenção especial em fevereiro de 2023, quando o jornal norte-americano The New York Times revelou que o brasileiro permaneceu dois dias na Embaixada da Hungria, em Brasília após ter tido o passaporte apreendido pela Polícia Federal.

Ao explicar a estadia na embaixada, a defesa do ex-presidente disse que o motivo era “para manter contatos com autoridades do país amigo”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?