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Mundo

Orbán: quem é o líder da extrema-direita e como ele governou a Hungria

Viktor Orbán admitiu derrota nas eleições da Hungria e vai deixar o comando do país após quatro mandatos como primeiro-ministro

12/04/2026 17:58, atualizado 12/04/2026 18:01
Alan Santos/Presidência da República
Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria discursa em púlpito com a bandeira do país atrás. Seu discurso com tendências nazistas levou ministra do governo a renunciar - Metrópoles

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu, neste domingo (12/4), a derrota nas eleições parlamentares. Desta forma, ele encerra um período de 20 anos à frente do país, após quatro mandatos — um deles entre 1998 e 2002, e outros três consecutivos, entre 2010 e 2026.

Orbán, que tem 62 anos, é um dos principais líderes da extrema-direita global. Formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, é conhecido por visões majoritariamente conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.

Os anos no comando da Hungria ficaram marcados pelo afastamento da União Europeia, aproximação com a Rússia, restrições para a liberdade de imprensa, redução na independência do Poder Judiciário e pela aplicação de uma “agenda anti-LGBT”.

O húngaro ingressou na política no âmbito das Revoluções de 1989. Em 1990, depois da transição da Hungria para uma democracia multipartidária, Orbán foi eleito para a Assembleia Nacional. Depois disto, liderou a bancada parlamentar do Fidesz.

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No período que está no poder, foram apontadas deteriorações em instituições democráticas, em especial a imprensa. Orbán e empresários aliados compraram a maior parte dos veículos de mídia independente, que eram taxadas pelo premiê como propagadoras de fake news.

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Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria
Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin
Viktor Orbán e Vladimir Putin
Bolsonaro e Viktor Orban
Viktor Órban é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro
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Divulgação/Kremlin
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Bolsonaro e Viktor Orban

Marcos Corrêa/PR

Orbán também foi acusado de aumentar a tributação para emissoras de TV e cortar anúncios do governo, além de ter adotado medidas para dificultar o acesso a informações públicas.

Uma das polêmicas da gestão foi a “agenda anti-gay” do premier. Em dezembro de 2020, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que impede casais do mesmo sexo de adotarem crianças.

O casamento gay é proibido no país, que aprovou uma emenda constitucional que define o casamento como uma instituição exclusiva entre homem e mulher. Sob Orbán, a Constituição húngara define que a “mãe é uma mulher e o pai é um homem”.

Em contrapartida, Orbán passou a enfrentar grande desgaste após anos de estagnação econômica, aumento do custo de vida e críticas sobre o fortalecimento de redes empresariais próximas ao governo.

Relações com Putin e Trump

Crítico às instituições multilaterais, Orbán se posicionou contra a possível adesão da Ucrânia à União Europeia e aproximou a Hungria da Rússia. Em visita a Moscou em novembro de 2025, Orbán encontrou o presidente Vladimir Putin e discutiu sobre o fornecimento de gás e petróleo russo.

No encontro, Putin elogiou a “postura equilibrada” da Hungria sobre a guerra na Ucrânia. Em resposta, Orbán disse que Budapeste não cede à pressão internacional para romper laços estratégicos com Moscou.

O húngaro afirmou que a estabilidade no fornecimento de energia russa é “base da segurança energética” da Hungria e reiterou que o país está “interessado na paz”, oferecendo-se novamente para sediar negociações sobre a Ucrânia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também é um dos principais aliados de Orbán. Na última sexta-feira (10/4), o republicano chegou a afirmar que pode fornecer apoio econômico à Hungria caso o premier fosse reeleito.

“Minha administração está pronta para usar todo o poderio econômico dos Estados Unidos para fortalecer a economia da Hungria, como fizemos por nossos grandes aliados no passado, caso o primeiro-ministro Viktor Orbán e o povo húngaro precisem”, afirmou Trump na Truth Social.

Na última semana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou a Budapeste para endossar o apoio à candidatura de Viktor Orban.

Relação com Bolsonaro

Orbán e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se encontraram pelo menos três vezes. A proximidade fez o brasileiro afirmar que considerava o premier “praticamente um irmão”.

O primeiro dos encontros ocorreu em janeiro de 2019, na posse presidencial de Bolsonaro. No dia seguinte à cerimônia, Orbán foi recebido pelo mandatário brasileiro no Palácio do Planalto.

Em fevereiro de 2022, Bolsonaro viajou para Budapeste, onde teve mais um encontro com Orbán. A última reunião entre os dois ocorreu em dezembro de 2023, durante o evento de posse do presidente da Argentina, Javier Milei.

A relação de Bolsonaro e Orbán ganhou atenção especial em fevereiro de 2023, quando o jornal norte-americano The New York Times revelou que o brasileiro permaneceu dois dias na Embaixada da Hungria, em Brasília após ter tido o passaporte apreendido pela Polícia Federal.

Ao explicar a estadia na embaixada, a defesa do ex-presidente disse que o motivo era “para manter contatos com autoridades do país amigo”.