Péter Magyar: quem é o ex-aliado de Orbán que vai comandar a Hungria
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu, neste domingo (12/4), a derrota nas eleições parlamentares
atualizado
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O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu, neste domingo (12/4), a derrota nas eleições parlamentares, abrindo caminho para a vitória do partido Tisza, liderado por Péter Magyar. Com 45,7% dos votos apurados, o Conselho Nacional Eleitoral projeta que a legenda de centro-direita conquiste 135 das 199 cadeiras do parlamento, marcando uma virada histórica no país.
Até pouco tempo atrás, Magyar era parte do próprio sistema que agora derrotou. Ele integrou o partido governista Fidesz por anos, tendo iniciado sua trajetória política ainda na universidade. Advogado de formação e filho de uma juíza de alto escalão, também atuou como diplomata na missão da Hungria em Bruxelas e ocupou cargos ligados ao governo, incluindo funções junto ao Parlamento Europeu.
Magyar ganhou projeção nacional apenas em 2024, quando rompeu com o Fidesz em meio a um escândalo político que abalou o governo. Na ocasião, a então presidente Katalin Novák renunciou após conceder perdão a um homem envolvido em um caso de abuso infantil.
A decisão, que dependia de validação institucional, acabou envolvendo também sua ex-esposa, a então ministra da Justiça Judit Varga, que participou formalmente do processo. Ela deixou a vida política após a repercussão do caso. O episódio marcou o ponto de ruptura para Péter Magyar, que passou a criticar publicamente a forma como o governo lidou com o escândalo, afirmando que decisões eram tomadas por círculos de poder pouco transparentes.
Pouco depois, Magyar deu uma entrevista a um canal de YouTube que viralizou no país. Nela, anunciou sua saída do grupo político ligado ao premiê Viktor Orbán, expôs críticas ao funcionamento interno do governo e apresentou-se como uma alternativa ao modelo vigente. O vídeo, assistido por cerca de um milhão de pessoas, projetou seu nome nacionalmente.
Ascensão
Após o rompimento, Magyar assumiu o comando do Tisza, até então um partido pouco expressivo, e iniciou uma campanha intensa pelo país. Em pouco mais de dois anos, percorreu todas as regiões da Hungria, incluindo áreas historicamente dominadas pelo Fidesz, e construiu uma base de apoio fora dos grandes centros urbanos.
Com o slogan “Agora”, derivado de um antigo chamado revolucionário húngaro, ele centrou seu discurso no combate à corrupção, na recuperação econômica e na tentativa de destravar recursos da União Europeia bloqueados por preocupações com o estado de direito no país.
Apesar das críticas ao governo, Magyar evitou se alinhar completamente a Bruxelas e se posicionou como um candidato de centro-direita, buscando atrair eleitores conservadores insatisfeitos com Orbán.
A trajetória de Magyar foi marcada também por embates diretos com antigos aliados. Integrantes do governo chegaram a acusá-lo de traição, enquanto ele passou a criticar abertamente a condução política do país e os laços do governo com a Rússia.
Sua vitória representa a primeira derrota de Orbán desde 2010 e encerra um ciclo de quatro mandatos consecutivos do premiê.










