Orbán admite derrota em eleição após 16 anos no comando da Hungria

Governo de Orbán foi marcado por centralização institucional, controle sobre a imprensa e aproximação com a extrema-direita global

atualizado

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General election in Budapest
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O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu, neste domingo (12/4), que perdeu as eleições no país. Com 60,24% dos votos contados, o Conselho Nacional Eleitoral aponta que o Tisza, partido de centro-direita liderado por Péter Magyar, deve conquistar 136 das 199 vagas do parlamento.

Em discurso a apoiadores, Orbán afirmou que o resultado é claro e parabenizou o partido vencedor. “O resultado das eleições é doloroso para nós, mas compreensível. Parabenizei o Partido Tisza”, declarou o primeiro-ministro em Bálna.

“O peso da governança não está sobre nossos ombros neste momento, por isso é importante fortalecer nossas comunidades. E precisamos enviar uma mensagem aos 2,5 milhões de eleitores de que não os decepcionaremos”, declarou Viktor Orbán.

Com a vitória do Tisza, Péter Magyar será o futuro primeiro-ministro da Hungria. O partido Fidesz, de Orbán, deve ficar com 56 cadeiras, de acordo com as apurações. O Mi Hazánk, que também é de direita, terá 7 assentos.

Orbán comandou a Hungria por duas décadas

Líder da extrema-direita da Hungria, Orbán comandou o país entre 1998 e 2002. Em 2010, voltou ao poder, onde seguiu por mais 16 anos.

O governo dele ficou marcado pela forte centralização institucional, influência sobre a mídia e aproximação com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin. O húngaro também demonstrava proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria
Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin
Viktor Orbán e Vladimir Putin
Bolsonaro e Viktor Orban
Viktor Órban é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro
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Viktor Orbán, primeiro ministro da Hungria

Alan Santos/Presidência da República
Viktor Órban aproximou a Hungria do líder russo, Vladimir Putin
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Kremlin
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Bolsonaro e Viktor Orban

Marcos Corrêa/PR

 

 

O húngaro de 62 anos é formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste. Na Europa, ele é conhecido por visões majoritariamente conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.

Uma das polêmicas da gestão foi a “agenda anti-gay” do premier. Em dezembro de 2020, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que impede casais do mesmo sexo de adotarem crianças.

O casamento gay é proibido no país, que aprovou uma emenda constitucional que define o casamento como uma instituição exclusiva entre homem e mulher. Sob Orbán, a Constituição húngara define que a “mãe é uma mulher e o pai é um homem”.

Após quase duas décadas na liderança da Hungria, o primeiro-ministro, que faz parte do movimento conservador internacional, passou a enfrentar grande desgaste após anos de estagnação econômica, aumento do custo de vida e críticas sobre o fortalecimento de redes empresariais próximas ao governo.

Relação com Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, é um dos principais aliados de Orbán. Na última sexta-feira (10/4), o republicano chegou a afirmar que pode fornecer apoio econômico à Hungria caso o premier fosse reeleito.

“Minha administração está pronta para usar todo o poderio econômico dos Estados Unidos para fortalecer a economia da Hungria, como fizemos por nossos grandes aliados no passado, caso o primeiro-ministro Viktor Orbán e o povo húngaro precisem”, afirmou Trump na Truth Social.

Na última semana, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, viajou a Budapeste para endossar o apoio à candidatura de Viktor Orban.

Oposição cresceu com Péter Magyar

O avanço de Péter Magyar, ex-integrante do próprio Fidesz que rompeu com Orbán em 2024, redesenhou o cenário político húngaro.

À frente do Tisza, ele capitaliza a insatisfação com a economia e com denúncias de corrupção, além de defender o desbloqueio de fundos europeus e reformas no sistema de saúde.

Às vésperas da votação, Orbán acusou adversários de tentarem gerar “caos” e de conspirarem com serviços de inteligência estrangeiros para influenciar o resultado eleitoral. O governo também fala em possíveis tentativas de fraude e protestos organizados.

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