ONU é acionada por chacina policial que matou 8 no Amazonas em 2020
Human Rights Watch (HRW) acionou a ONU e cobrou providências do governo brasileiro sobre a chacina policial que matou 8 pessoas em 2020

A organização Human Rights Watch (HRW) enviou uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU), na qual cobra providências do governo brasileiro sobre uma chacina contra indígenas e ribeirinhos no Amazonas, cometida em 2020 por policiais militares. O documento foi encaminhado nesta segunda-feira (3/8).
No texto, o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, pede que o governo do Brasil atualize os status das investigações e aumento os esforços para responsabilização dos autores do massacre.
Além disso, a organização cobra que o caso seja incluído em relatórios da ONU e insta que autoridades brasileiras protejam testemunhas, vítimas de abusos policiais e ativistas que cobram justiça. A carta também foi enviada para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Os pedidos são referentes ao caso que ficou conhecido como chacina do rio Acabaxis, ocorrida em agosto de 2020 nos municípios de Nova Olinda do Norte e Borba, ambos localizados no Amazonas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA chacina resultou na morte de oitos pessoas, entre elas dois indígenas da etnia Munduruku e seis ribeirinhos que viviam na região.
Os assassinatos ocorreram durante uma operação da Polícia Militar do Amazonas, deflagrada após o então secretário de Desenvolvimento Social do Amazonas, Saulo Moyses Rezende da Costa, ser baleado enquanto tentava pescar sem licença ambiental no rio Abacaxis — e prometer vingança.
Durante a operação, dois policiais militares foram mortos em tiroteios com moradores da região. A segunda ofensiva foi ainda mais dura do que a primeira e resultou, além dos oito assassinatos, em episódios de tortura, intimidação e desrespeito aos direitos humanos.
A Polícia Federal (PF) concluiu a apuração do caso em maio de 2025 e indiciou 13 pessoas pelo massacre — incluindo 11 policiais militares e antigos membros do alto escalão do governo estadual. Eles foram acusados de homicídio qualificado, cárcere privado, tortura, formação de milícia privada, ocultação de cadáver e fraude processual.
Os réus, no entanto, ainda não foram julgados. O processo enfrenta disputas sobre qual tribunal deve conduzir os julgamentos.



