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Mundo

ONU acusa Talibã de realizar prisões arbitrárias no Afeganistão

Informações estão em relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama). Talibã nega e acusa ONU de parcialidade

15/10/2026 18:08
Nava Jamshidi/Getty Images
Imagem colorida mostra apoiadores do Talibã no Afeganistão - Metrópoles

Ao menos 443 detenções arbitrárias e 97 incidentes de maus-tratos contra civis foram registrados no Afeganistão entre julho e setembro deste ano. A informação consta em relatório sobre as condições no país após o Talibã retomar o poder há cerca de cinco ano, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (15/10).

Segundo o levantamento da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), os casos foram cometidos por autoridades do Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício. O papel do órgão, restaurado depois do retorno do Talibã ao governo, é atuar como uma espécie de polícia moral.

A Unama afirma que as principais justificativas para as prisões foram violações no uso do hijab — o véu tradicional utilizado por algumas mulheres muçulmanas —, e questões sobe a aparência de homens afegãos, como cortes de cabelo e barbas.

O relatório da ONU também destaca detenções arbitrárias contra ex-oficiais das Forças Armadas do Afeganistão do antigo governo. O documento aponta que ao menos 14 prisões do tipo foram identificadas entre 1º de julho e 30 de setembro. Quatro ex-militares afegãos também foram mortos durante o mesmo período.

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Violações contra os direitos das mulheres também foram investigadas pela missão da ONU, que encontrou casos onde afegãs foram proibidas de entrar em hospitais e shoppings, pois não estavam acompanhadas por um membro de suas famílias.

Logo após reassumir o poder, o Talibã impôs a interpretação radical da sharia (lei islâmica) no país. Isso resultou no isolamento internacional do país, devido a críticas sobre o tratamento do grupo em relação aos direitos humanos e de mulheres.

Afegãs não podem, por exemplo, ocupar cargos públicos ou frequentar escolas e instituições de ensino. Além disso, elas estão proibidas de usar métodos contraceptivos, assim como sair de casa desacompanhadas.

Como em outras ocasiões, o Talibã acusou a ONU de “parcialidade” após a publicação do novo relatório sobre o Afeganistão.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, disse que todas as detenções aconteceram “em conformidade com as leis e regulamentos” do país. O objetivo, conforme argumentado, seria “prevenir atos contrários à sharia islâmica”