ONU acusa formalmente a Rússia de “execuções sumárias” na Ucrânia

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, diz que a ONU "documentou" supostos crimes

atualizado 22/04/2022 13:44

Vista aérea da exumação dos corpos de civis que morreram durante os ataques russos, da segunda vala comum, encontrada no quintal da Igreja de St. Andrea em Bucha, Ucrânia Metin Aktas/Anadolu Agency via Getty Images

A Organização das Nações Unidas (ONU) acusou formalmente o exército russo de “execuções sumárias” e “assassinatos ilegais”, o que é considerado crime de guerra.

Nesta sexta-feira (22/4), a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, afirmou que a ONU “documentou” esses supostos crimes.

“As Forças Armadas russas bombardearam de maneira indiscriminada zonas residenciais, mataram civis e destruíram hospitais, escolas e outras infraestruturas civis, em ações que poderiam constituir crimes de guerra”, explicou em Genebra, na Suíça.

Ela completou: “Durante uma missão em Bucha, em 9 de abril, os investigadores de direitos humanos da ONU documentaram os assassinatos, alguns deles execuções sumárias, de 50 civis na cidade.”

Autoridades ucranianas acusam a Rússia de realizar um massacre de civis na cidade de Bucha. O prefeito local, Anatoliy Fedoruk, estima que atualmente a população está em 3,4 mil habitantes — número 88% menor que os 30 mil registrados em 2021.

O mundo se assombrou com vídeos divulgados no começo de abril. Nas gravações, é possível ver cenas chocantes da tragédia na cidade de Bucha.

As imagens mostram ao menos 20 cadáveres no chão e em valas comuns. O governo ucraniano diz que mais de 400 corpos de civis foram encontrados na cidade.

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O presidente russo, Vladimir Putin, homenageou, com título honorário por “heroísmo”, a brigada de fuzileiros motorizados que combateram em Bucha.

Na segunda-feira (18/4), Putin assinou o decreto no qual concede o “título honorário de Guarda” a esta brigada pelo “heroísmo e tenacidade, determinação e coragem” dos seus homens.

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entidade militar liderada pelos Estados Unidos.

Na prática, Moscou vê essa possibilidade como uma ameaça à sua segurança. Sob essa alegação, invadiu o país liderado por Zelensky, em 24 de fevereiro.

A tensão no Leste Europeu voltou a subir após ao menos três ataques ucranianos contra o território russo. O país liderado por Putin, que havia prometido trégua a Kiev, voltou a bombardear a capital.

A escalada da violência também é influenciada pelo naufrágio do navio militar Moskva, maior embarcação de guerra russa no Mar Morto. A Ucrânia reivindicou o ataque.

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