Onda democrata ameaça Trump e maioria republicana no Senado, diz pesquisa
Liderando em quase todos os sete estados decisivos analisados, os democratas ganharam um impulso decisivo na reta final da campanha

Na véspera das eleições de meio de mandato nos EUA, os democratas estão em alta em Michigan, Texas, Kansas, Maine e Ohio, têm vantagem no Alasca e estão efetivamente empatados com os republicanos em Iowa. Os dados estão em uma pesquisa do jornal New York Times publicada nesta segunda-feira (2/11), em parceria com a Universidade de Siena.
O levantamento mostra um cenário altamente favorável ao Partido Democrata na disputa pelo Senado norte-americano, que pode se concretizar um revés ao presidente Donald Trump, líder máximo dos republicanos, nas eleições, marcadas para esta terça-feira (3/11).
Liderando em quase todos os sete estados decisivos analisados, os democratas ganharam um impulso decisivo na reta final da campanha, colocando em xeque o domínio republicano em territórios historicamente conservadores.
Para consolidar a maioria na Câmara Alta, a oposição precisa defender seus atuais assentos e reverter ao menos quatro cadeiras atualmente em mãos republicanas. O que antes era visto como um desafio quase inatingível por se desenrolar em redutos da direita, agora ganha contornos de virada real.
Trocando em miúdos
- Os democratas aparecem à frente em cinco estados representados por senadores republicanos — Kansas, Maine, Ohio, Texas e Alasca — e registram um empate técnico no estado de Iowa.
- O avanço democrata rompe barreiras históricas. No Texas, onde o partido não elege um senador desde 1988, o legislador estadual democrata James Talarico lidera com 50% das intenções de voto contra 43% do procurador-geral republicano Ken Paxton, atingido por altos índices de rejeição.
- Cenário semelhante ocorre no Kansas, sem senadores democratas desde 1932, e no Maine, onde a veterana republicana Susan Collins aparece atrás do democrata Troy Jackson (51% a 45%).
- Em Michigan, único campo de batalha defendido pelos democratas no estudo, a vantagem da legenda é de dois dígitos.
- No centro dessa mudança de maré política está a insatisfação popular com o presidente Donald Trump e com os rumos da economia.
- Nos sete estados pesquisados, a aprovação do desempenho do presidente despencou para apenas 38% dos prováveis eleitores — um indicador crítico, considerando que Trump venceu em cinco dessas regiões com margens expressivas de dois dígitos há apenas dois anos.
Custo de vida: preocupação
A economia e, em especial, o custo de vida emergiram como a principal preocupação do eleitorado neste ciclo eleitoral. A pesquisa aponta que os democratas conquistaram a confiança da população nesse quesito central, ostentando uma vantagem média de nove pontos percentuais sobre os republicanos quando o assunto é o manejo do custo de vida, liderando a métrica em todos os estados analisados.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém disso, os candidatos democratas têm demonstrado forte apelo junto a fatias decisivas do eleitorado. Eles lideram entre os eleitores independentes em todos os estados pesquisados e retomaram o vigor junto aos jovens e latinos — grupos em que o Partido Republicano obteve apenas cerca de um quarto dos votos.
Paralelamente, os republicanos mostram sinais de desgaste entre sua própria base tradicional de eleitores brancos da classe trabalhadora.
Até mesmo os redutos mais fiéis ao trumpismo começam a demonstrar fissuras. Embora Trump siga realizando viagens intensas para reenergizar seus apoiadores, a intensidade desse entusiasmo diminuiu.
Em Ohio, a fatia de republicanos que aprova “fortemente” a gestão presidencial caiu de 63% em junho para 51%. O enfraquecimento republicano reflete-se ainda em outros estados não incluídos neste levantamento, como a Carolina do Norte, onde os democratas mantêm liderança consolidada, e a Carolina do Sul, que registrou empate técnico na última semana.
Cautela democrata
Contudo, os dados também deixam margem para cautela no comitê democrata. A história recente mostra que as pesquisas nem sempre se traduzem em urnas: há seis anos, Susan Collins figurava atrás em todas as sondagens no Maine e, ainda assim, garantiu uma reeleição confortável.
Ademais, a parcela de eleitores indecisos e daqueles que definiram o voto apenas no último mês inclina-se majoritariamente para os republicanos, por uma vantagem de nove pontos. Essa margem de eleitores de última hora pode ser o fator determinante nas disputas mais acirradas, como a de Iowa, onde Josh Turek (democrata) e Ashley Hinson (republicana) aparecem empatados.
Se o cenário desenhado pelo The New York Times/Siena se confirmar nas urnas, os democratas não apenas ultrapassarão a meta necessária de quatro viradas, como redesenharão o mapa político de Washington. Resta saber se o descontentamento com a economia e a imagem do presidente se traduzirá em votos definitivos no dia da eleição.
Com informações do The New York Times.
