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Irã: após 36 mortos, governo diz que dispersou “reuniões esporádicas”

Segundo ONG, ao menos 36 manifestantes morreram desde o início da onda de protestos, incluindo cinco menores de idade

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1 de 1 Imagem colorida mostra protestos no Irã - Metrópoles - Foto: Lab Ky Mo/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A polícia iraniana dispersou nessa terça-feira (6/1), com gás lacrimogêneo, dezenas de manifestantes que gritavam slogans políticos contra o regime no bazar de Teerã, segundo ONGs e vídeos postados nas redes sociais. De acordo com um balanço da Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 27 manifestantes, incluindo cinco menores de idade, foram mortos desde o início da onda de protestos no Irã, no fim de dezembro.

“Pelo menos 36 manifestantes foram mortos por disparos ou outras formas de violência cometidas pelas forças de segurança em oito províncias”, escreveu a organização Iran Human Rights (IHR) em seu site, acrescentando que “mais de mil pessoas foram presas”.

Nessa terça, os manifestantes gritavam “Pahlavi voltará”, referindo-se à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. Entre outros slogans, a multidão gritou “Seyyed Ali será derrubado”, em referência ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, segundo imagens cuja autenticidade foi verificada pela AFP.

“Liberdade! Liberdade!” e “Sem vergonha” também gritaram dezenas de pessoas, de acordo com vídeos divulgados pelas organizações Iran Human Rights e Human Rights Activists News Agency, esta última dos Estados Unidos.

É possível ver nas imagens forças de segurança usando bombas de gás lacrimogêneo e fumaça forte invadindo o bazar, provocando a fuga dos manifestantes.

Polícia dispersa “reuniões esporádicas”

A agência de notícias iraniana Fars, por sua vez, mencionou apenas “reuniões esporádicas” dispersas pela polícia. E embora tenha considerado impossível estimar o número de manifestantes, um de seus jornalistas calculou cerca de 150 pessoas.

Algumas partes do bazar, como o mercado de ouro, foram fechadas “a partir do meio-dia” como sinal de “protesto contra o aumento da taxa das moedas estrangeiras e a instabilidade dos preços”.

O movimento, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro, na capital, antes de se espalhar para outras províncias. É o maior desde o protesto iniciado no fim de 2022 pela morte de Mahsa Amini, que foi presa por infringir o rígido código de vestimenta feminino.

Embora as manifestações atuais ainda não representem a importância de 2022, os protestos são um grande desafio para o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que está no poder desde 1989, enquanto o país está enfraquecido após a guerra com Israel em junho de 2025 e os golpes contra vários de seus aliados regionais. Além disso, a ONU restabeleceu, em setembro, sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Leia mais em RFI, parceiro do Metrópoles.

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