Olhos em Genebra: EUA tentam acordos com Irã, Rússia e Ucrânia
A última reunião entre representantes do Irã e dos EUA aconteceu em Omã. Esta cúpula na Suíça marca a sexta rodada de negociações nucleares
17/02/2026 02:00, atualizado 17/02/2026 11:18

Genebra, na Suíça, está no centro da diplomacia global ao se colocar como palco para os Estados Unidos mediarem duas negociações de grande importância. Nesta semana, além das conversas entre Rússia e Ucrânia para o fim da guerra, a cidade será palco de tratativas nucleares entre Estados Unidos e Irã, em meio a divergências sobre o programa atômico iraniano e ameaça de invasão.
A cúpula nuclear deve acontecer nesta terça-feira (17/2), e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, já está na Suíça, junto com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Para a outra frente de negociações, representantes da Rússia, da Ucrânia e dos EUA estão a caminho da Europa.
Às vésperas da cúpula, Aragchi informou que não aceitará ameaças para uma possível submissão do Irã, apontando que deseja resolver as divergências pela diplomacia e não com embates militares, como ameaça o governo de Donald Trump.
Discussões para pacto nuclear e fim da guerra
- As discussões sobre o programa nuclear iraniano acontecem porque o presidente dos EUA, Donald Trump, tem o objetivo de impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
- Na visão de Trump, propor um controle de armamentos ao Irã deixaria um mundo mais seguro, livre, em suas palavras, da “maior ameaça ao mundo”.
- Após pressões militares e econômicas, os EUA tentam negociar por via diplomática.
- Um pacto nuclear chegou a ser firmado em 2015. Ele previa, entre outros pontos, a limitação de enriquecimento de urânio e a redução da atividade nuclear no Irã.
- Mas, em 2018, Trump decidiu abandonar o acordo por considerá-lo prejudicial aos interesses norte-americanos.
- Representantes dos EUA, da Rússia e da Ucrânia também se encontrarão em 17 e 18 de fevereiro em prol do fim da guerra, que se estende por 4 anos.
A última reunião entre EUA e Irã aconteceu em Omã, e Trump afirmou a jornalistas que estava com dificuldades para “chegar um acordo” e sugeriu a possibilidade de invasão no país. A cúpula na Suíça marca a sexta rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, e o Metrópoles ouviu um especialista para entender o que causa entrave no acordo, além de explicar sobre as expectativas para esta reunião.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEUA ameaça invasão caso não haja acordo
As negociações sobre o programa nuclear iraniano foram retomadas recentemente, após EUA e Irã não chegarem a um acordo devido a uma ofensiva de Israel em junho de 2025. O ataque provocou uma guerra de 12 dias e incluiu ataques dos EUA a três instalações nucleares iranianas e, por este motivo, as conversas ficaram travadas à época.
A professora de Direito Internacional na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Tatiana Squeff explica que a ameaça militar dos EUA serve para impor “domínio” na mesa de negociações e assegurar os benefícios ao país.
“Aí está o precedente perigoso criado pela invasão dos Estados Unidos à Venezuela, pois na medida em que o país não cedeu — invadiram. Essa é a cartada estadunidense: usar do precedente (invasão ilegal), para garantir um acordo que lhe seja benéfico em diversos setores, sobretudo, petróleo, gás e minérios”, afirma a acadêmica.
A ideia proposta pelos EUA para o programa é um aprimoramento do acordo New START, que consiste em limitar a proliferação de ogivas nucleares, lançadores ativos, além de prever inspeções.
O que trava o acordo? Irã busca se impor
As negociações devem se estender ainda mais, porque o Irã afirma que reduziria seu urânio enriquecido, mas espera uma concessão. O Irã pede uma manifestação da AIEA sobre o ataque dos EUA no ano passado (o que poderia resultar em alguma punição para o país), ou uma garantia de que os EUA não os bombardeariam novamente.
“Para o lado iraniano, o que eles buscam é a garantia de não invasão. Eles até concordam com a agência internacional de energia atômica retomar as inspeções (como acordado em 2015). Não é problema as inspeções… uma questão interessante sobre isso é que o Irã tem proibido as inspeções até que a AIEA diga o que achou dos bombardeios feitos pelos Estados Unidos”, afirmou a especialista.
As tensões entre os dois países dificultam a possibilidade de um acordo nuclear. Trump incita iranianos a manterem protestos contra o regime dos aiatolás, o que cria mais conflitos, uma vez que o Irã interpreta o ato como interferência externa na política do país, sinalizando que os EUA não devem se intrometer.











