Neto de ex-presidente de Cuba tentou enviar carta secreta a Trump

Documento teria antecipado a preparação militar de Cuba diante de uma possível invasão militar pelos EUA além de propor acordos

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Neto de ex-presidente de Cuba, Raúl Guillermo Rodríguez Castro - Metrópoles
1 de 1 Neto de ex-presidente de Cuba, Raúl Guillermo Rodríguez Castro - Metrópoles - Foto: Reprodução/Internet

Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente de Cuba Raúl Castro e sobrinho-neto de Fidel Castro, teria enviado secretamente aos Estados Unidos uma carta, na semana passada, numa tentativa de  propor ao presidente Donald Trump acordos econômicos e de investimento, bem como o alívio de sanções.

Castro ainda teria alertado a Casa Branca de que o regime cubano estava se preparando para uma incursão norte-americana, informou um servidor e um ex-funcionário do governo dos EUA ao The Wall Street Journal, em reportagem publicada nessa quinta-feira (16/4).

O jornal classificou a correspondência como uma tentativa incomum de chamar a atenção de Trump. O neto do líder cubano teria recorrido a um rico empresário de Havana, do ramo de aluguel de carros de luxo, para tentar entregar pessoalmente o documento extraoficial, que “tinha um formato semelhante ao de uma nota diplomática e continha um selo oficial cubano”.

O empresário, porém, teria sido impedido de entrar nos Estados Unidos por um agente de imigração em Miami; portanto, teve de retornar a Havana sem cumprir a missão e sem a carta, que teria sido retida por autoridades norte-americanas na fronteira. Não se sabe se a correspondência chegou de fato a Washington.

A tentativa de comunicação ocorre em meio a ameaças sistemáticas de Trump sobre uma possível invasão a Cuba. O líder dos EUA chegou a afirmar que poderia ter a “honra” de assumir o controle do país insular e, nesta semana, afirmou que considera uma possível ação militar contra Cuba após o fim do conflito no Oriente Médio contra o Irã.

“Cuba tem sido um país muito mal administrado por muito tempo. Tem um sistema ruim, muito opressivo. E temos muitos cubanos-americanos incríveis, praticamente todos votaram em mim, e todos foram maltratados. Em muitos casos, membros da família foram mortos, espancados e assaltados. Coisas terríveis ocorreram em Cuba”, avaliou Trump.

Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou ontem que o país está, de fato, como teria antecipado a carta secreta, preparado para responder a uma possível ação militar, durante as lembranças dos 65 anos da Invasão da Baía dos Porcos, episódio marcante da história cubana, e que reforçou a defesa do modelo socialista adotado na ilha.

“O momento é extremamente desafiador e nos convoca a estarmos preparados para enfrentar sérias ameaças, entre elas a agressão militar. […] Foi construída uma narrativa mentirosa e muito cínica: a de Cuba como Estado falido. Cuba não é um Estado falido, é um Estado cercado. Continuamos sendo uma revolução socialista bem debaixo do nariz do império”, ressaltou.

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