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Moldávia vai às urnas neste domingo (28/9) dividida entre UE e Rússia

Eleições mais importantes desde 1991 escolhem novo parlamento. Campanha é marcada por compra de votos e desinformação

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1 de 1 Imagem colorida de eleitores da Moldávia - Metrópoles - Foto: Tobias Zuttmann/DW

Vídeos que circulam no TikTok alegam que a Moldávia estaria vivendo uma suposta ditadura comandada pela presidente pró-União Europeia (UE), Maia Sandu, e pela legenda liberal-conservadora Partido Ação e Solidariedade (PAS). Seria um “regime fantoche”, que se vendeu ao bloco europeu, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e ao milionário americano George Soros para destruir a agricultura do país, instalar a “ideologia LGBTQ” e conduzir uma guerra contra a Rússia.

O ex-presidente da Moldávia Igor Dodon, fiel seguidor de Vladimir Putin e líder do Partido dos Socialistas (PSRM) e da aliança eleitoral Bloco dos Patriotas, está entre aqueles que propagam essas teorias conspiratórias diariamente nas redes sociais. O logotipo de sua aliança é uma estrela branca e vermelha com um coração dentro e, dentro dele, o símbolo soviético da foice e do martelo.

Dodon se descreve como de direita, defensor dos “valores tradicionais” e gosta de terminar seus vídeos com a saudação cristã ortodoxa “Deus ajude”.

A mistura de ódio à União Europeia e ao Ocidente, nostalgia soviética, lealdade ao Kremlin, devoção cristã ortodoxa e populismo de direita encontrou terreno fértil em parte da sociedade do país. Muitos moldavos, principalmente os aposentados, enfrentam uma precária situação socioeconômica.

Essa tendência já é observada há um ano no país. Nas eleições presidenciais de 2024, Sandu conquistou a reeleição com uma margem apertada de votos. Uma pequena maioria também aprovou a adesão do país à UE, num referendo que ocorreu simultaneamente. Mas agora a situação política na Moldávia pode realmente mudar.

Neste domingo (28/9), os eleitores do país de 2,4 milhões de habitantes vão às urnas escolher o novo parlamento. O partido de Sandu conquistou a maioria dos assentos nas eleições parlamentares anteriores de 2021.

Essa é a primeira eleição parlamentar desde que a Moldávia recebeu em 2022 o status de candidata à adesão à UE. Há meses o atual pleito é visto como decisivo para o futuro político moldavo que, dependendo do resultado, poderá seguir na direção do bloco europeu ou voltar para a influência da Rússia.

Quase metade de indecisos

As pesquisas eleitorais moldavas não são confiáveis. Além disso, elas indicam que quase metade dos eleitores está indecisa. O PAS, legenda da presidente que defende direitos civis e uma pauta anticorrupção, pode perder a maioria absoluta que conquistou em 2021, mesmo que continue sendo o partido mais forte.

Duas alianças que, segundo pesquisas, devem eleger parlamentares têm uma orientação pró-Rússia. Uma delas é o Bloco dos Patriotas e a outra o Bloco Eleitoral Alternativo, do prefeito da capital Chisinau, Ion Ceban.

O Novo Partido (PN), do empresário Renato Usatii, que fez fortuna na Rússia, também tem chances de entrar no parlamento. Usatii é um aventureiro político e populista difícil de classificar. Dependendo do resultado do pleito, ele poderá ser um fator decisivo para determinar se o país manterá o curso pró-europeu ou voltará a se alinhar com a Rússia.

Sandu declarou que essas são as eleições mais importantes do país desde a independência em 1991 e alertou para uma “derrota da democracia”. Neste caso, “a Rússia nos desestabilizará e nos arrancará da Europa”, afirmou.

Os defensores da Rússia nem se dão ao trabalho de negar isso. Dodon e seu bloco defendem o fim do curso pró-UE e um retorno à estrutura russa Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e à União Econômica Eurasiática.

O embaixador russo na Moldávia, Oleg Oserow, chegou a fazer ameaças recentemente. Segundo ele, a Rússia defende a preservação da integridade territorial e a neutralidade da Moldávia. O exemplo da Ucrânia mostraria o que acontece quando um país supostamente abandona seu status neutro.

Humilhação para a Rússia

Economicamente, o Kremlin não precisa da pequena Moldávia. No entanto, a mentalidade imperialista da Rússia levou ao início no país da primeira guerra pós-soviética em 1992. Na Transnístria, então disputada e até hoje separatista, estão estacionados cerca de 1,5 mil soldados russos e um enorme arsenal de armas.

O valor estratégico da Moldávia vem crescendo desde 2022, porque, deste país praticamente indefeso, Moscou poderia abrir uma nova frente de batalha contra a Ucrânia. Não se deve subestimar também a atitude russa em relação ao país e nem as humilhações que sofreu lá, quando uma mulher considerada incorruptível e modesta, Sandu, superou o domínio russo e conduziu a nação em direção à Europa.

Por isso, não é surpresa que a Rússia esteja fazendo de tudo para influenciar as eleições. Um dos instrumentos usados é compra de votos com pagamento por aplicativos. Mais de 300 mil eleitores haviam se cadastrado no ano passado para vender o voto. O governo classificou a ação como um “ataque híbrido sem precedentes” contra a Moldávia.

A compra de votos foi coordenada por uma rede do empresário moldavo-israelense Ilan Sor, que estaria agindo a mando do serviço secreto russo e do Kremlin. Sor foi condenado na Moldávia por um grande esquema de corrupção. Em 2019, ele fugiu para Israel e posteriormente para a Rússia. Vários partidos que ele fundou para a eleição atual foram proibidos.

Há meses, a polícia moldava alerta para o risco de esquemas de compra de votos – aparentemente sem muito sucesso. Quase que diariamente são realizadas batidas policiais em todo o país contra fraudadores eleitorais, e coordenadores do esquema são presos.

Fake news e narrativas pró-Rússia

Outro meio usado para influenciar as eleições é inundar as redes sociais, principalmente o TikTok, com milhares de vídeos que espalham notícias falsas. A estratégia é eficiente, pois grande parte dos moldavos se informa principalmente pelas redes sociais.

Além das narrativas pró-Rússia típicas, circulam vídeos alegando que o “regime de Sandu” seria a personificação da corrupção e o PAS seria responsável pela pobreza de milhares de pessoas no país.

No entanto, tanto Sandu quanto o partido fundado por ela, o PAS, travaram, pela primeira vez desde a independência moldava, uma luta contra a corrupção. Já a invasão da Ucrânia pela Rússia mergulhou o país numa grave crise econômica devido à explosão do preço da energia e à interrupção no fornecimento do gás russo no início de 2025.

Suspeito de corrupção em vários casos, Dodon ignora os fatos, e sua campanha defende o fim da “praga amarela” – uma alusão à cor que caracteriza o partido de Sandu.

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