Mercosul: Bolsonaro prega “zelo” na escolha de embaixadores

Segundo o presidente, os objetivos do bloco são modernizar e expandir as relações comerciais e facilitar imigração entre integrantes

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 17/07/2019 18:41

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, durante reunião da cúpula do Mercosul, nesta quarta-feira (17/07/2019), que é preciso “zelo” nas indicações para as embaixadas e fez aceno indireto à nomeação de Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), seu filho, para a embaixada brasileira nos Estados Unidos (EUA). Paralelamente, o mandatário brasileiro disse que a reorganização da diplomacia local e a expansão das relações comerciais do bloco, além do fim do “viés ideológico”, serão os objetivos de sua gestão à frente do grupo.

“Compartilhamos aqui entre nós a visão de que, para cumprir o seu papel de um motor do desenvolvimento, o nosso bloco deve concentrar-se em três áreas: negociações externas – aí com o grande apoio do meu ministro das Relações Exteriores, no zelo das indicações das embaixadas –, também sem mais o viés ideológico do passado – e quem sabe um grande embaixador nos EUA brevemente. Então, focamos nisso, na nossa tarifa externa comum, em nossa reforma institucional”, declarou o titular do Palácio do Planalto.

Além disso, Bolsonaro agradeceu o ex-presidente Michel Temer por ter dado um “grande passo”. A frase foi dita num contexto em que o chefe do Executivo lamentou a demora do bloco para se inserir no mercado externo e recuperar a evolução das economias locais.

“A agenda de negociações foi intensa, e a maior conquista foi o acordo com a União Europeia, que abre caminho para inscrição de países nas cadeiras globais. Lamentável que levamos 20 anos para chegar nesse desfecho. O grande passo foi dado pelo governo que nos antecedeu, e agradeço ao Michel Temer por isso”, disse. Frisou ainda que a “pedra fundamental” do Mercosul será sua abertura econômica para o mundo.

Bolsonaro comentou que não pretende fazer com que o Mercosul seja um bloco economicamente forte, mas que seu objetivo é fortalecer cada país integrante, a fim de trazer benefícios ao grupo.

“Ao assumir a Presidência, recebi a economia do meu país um tanto quanto cambaleante. E nós sabemos que para a América do Sul é bom que o Brasil vá bem, assim como é bom que a Argentina, o Paraguai, Uruguai, Chile também vão muito bem”, explicou. “Não queremos a América do Sul como uma pátria grande, queremos que cada país tenha autonomia, democracia e que seja grande, como Trump fala”, continuou.

Durante o discurso, Bolsonaro voltou a comparar o Brasil a um paciente com câncer e repetiu que as reformas realizadas pelo seu governo são como uma “quimioterapia” necessária para recuperação do país. “No Brasil, estamos fazendo esforços necessários. Creio que todos temos problemas. Apesar de a reforma ser quase como uma quimioterapia, mas necessária para o corpo sobreviver mesmo”, salientou. Na sentença, o presidente ressaltou a sua popularidade entre os brasileiros.

Novas metas ao grupo
Como já havia sido sinalizado pelo mandatário da República e por integrantes do bloco, os objetivos do Mercosul na presidência de Bolsonaro serão, além da modernização e expansão das relações sem viés ideológico, acabar com tarifas telefônicas entre os países e eliminar burocracias. “Vamos trabalhar de forma enxuta e dinâmica, como as propostas argentinas de reforço institucional do bloco. Teremos um Mercosul com menos discurso e mais ação, sem ideologia e mais resultado”, finalizou.

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