Macron reage a Trump e diz ser “irrealista” reabrir Ormuz à força
Emmanuel Macron reagiu à série de recentes alfinetadas de Donald Trump e declarou ser “irrealista” uso de força militar no Estreito de Ormuz
atualizado
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O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quinta-feira (2/4) as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o controle do Estreito de Ormuz.
Segundo Macron, é “irrealista” tentar reabrir a rota marítima pela força, e as falas do republicano colocam em risco a credibilidade da aliança militar.
Durante visita oficial à Coreia do Sul, o líder francês afirmou que os comentários de Trump — que vem questionando o compromisso dos EUA com a Otan — “minam a própria essência” da organização.
Para Macron, alianças militares dependem fundamentalmente da confiança entre os membros.
“Acredito que organizações como a Otan são definidas pelo que não é dito, pela confiança que as sustenta. Se você questiona isso todos os dias, corrói sua própria essência”, declarou.
Ele ainda criticou a postura contraditória do norte-americano: “Precisamos ser sérios, e se você quer ser sério, não pode sair por aí dizendo o oposto do que disse no dia anterior. Fala-se demais”.
Alfinetadas de Trump
A reação ocorre após uma nova série de ataques do republicano à aliança. Nessa quarta-feira (1º/4), o presidente dos EUA classificou a aliança como um “tigre de papel” e voltou a ameaçar retirar o país do bloco.
“Eles dependem disso — e precisam agir. Nós vamos apoiar, mas eles devem liderar esse esforço”, disse Trump, ao destacar que os Estados Unidos importam “quase nada” de petróleo que passa pela região.
Macron, por sua vez, rejeitou a possibilidade de uma intervenção militar direta para garantir o fluxo de navios no estreito, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.
Cerca de um quinto do petróleo global passa pela via, que conecta produtores do Golfo Pérsico a mercados internacionais, incluindo a Europa.
O presidente francês defendeu que qualquer tentativa de garantir a segurança da região deve ocorrer por meio de coordenação diplomática, inclusive com o Irã, após um eventual cessar-fogo. Segundo ele, uma ação militar poderia ampliar ainda mais as tensões e expor forças navais a ataques.






