Lula diz que um dia Trump “ainda vai fazer um Pix”

Brasil é alvo de investigação dos EUA que pode gerar imposição de novas tarifas ao país. Ação envolve o Pix, etanol e outros assuntos

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1 de 1 Foto colorida mostra os presidentes Trump (EUA) e Lula (Brasil) - Metrópoles - Foto: Andrew Harnik/Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7/5) que a investigação dos Estados Unidos sobre o Pix, método de pagamento brasileiro que é considerado “desleal” por parte do governo norte-americano, não foi tratado na reunião com Donald Trump na Casa Branca, em Washington. O encontro durou cerca de três horas.

“Ele [Trump] não tocou no assunto do Pix, então também não toquei. Porque eu espero que um dia ele ainda vai fazer um Pix, porque muitas empresas americanas já fazem”, relatou o titular do Planalto em declaração à imprensa na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos após o encontro.

O Brasil é alvo de uma investigação nos Estados Unidos que envolve temas como Pix, etanol, desmatamento ilegal e propriedade intelectual. A apuração pode resultar na imposição de novas tarifas ao país.

A investigação sobre o modelo de pagamentos brasileiro e o risco de sanções foi uma das prioridades do governo na reunião entre Lula e Trump.

Acompanhe a declaração de Lula:

A ação norte-americana é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e analisa medidas adotadas pelo governo Lula que possam prejudicar empresas de tecnologia dos Estados Unidos, consideradas “desleais” pelo governo americano.

A apuração foi aberta em 15 de julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que pode embasar a adoção de medidas tarifárias contra o Brasil.

À época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a investigação se devia a “ataques do Brasil contra empresas americanas de mídias sociais, além de outras práticas comerciais desleais que afetam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos dos Estados Unidos”.

Seção 301 da Lei Comercial dos Estados Unidos

  • A investigação é conduzida sob a Seção 301 da Lei Comercial dos Estados Unidos, um instrumento que permite investigações caso os direitos dos EUA sob qualquer acordo sejam negados e se uma prática de um governo estrangeiro violar ou prejudicar de forma irregular o comércio dos norte-americanos.
  • A medida é, normalmente, utilizada em casos excepcionais para construir casos e buscar soluções de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A investigação, que tem o Brasil como alvo, foi tema de reunião entre autoridades brasileiras e norte-americanas no último em 16 de abril, em Washington. No entanto, nenhum comunicado sobre uma possível resolução foi divulgado.

“O Pix é do Brasil”

Em 1º de abril, a Casa Branca voltou a abordar o tema ao publicar um relatório com críticas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Segundo o documento, o Pix pode criar uma “desvantagem” para empresas norte-americanas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, como Visa e Mastercard.

No relatório, os EUA também classificam a Rua 25 de Março, em São Paulo, como um dos “mercados físicos notórios” mais críticos do mundo para a violação de direitos de propriedade intelectual. De acordo com o texto, a região é apontada como um centro persistente de distribuição de mercadorias falsificadas e pirataria, afetando diretamente empresas americanas de diversos setores, como vestuário, eletrônicos, luxo e entretenimento. A rua, uma das mais famosas do país, já havia sido alvo de críticas do governo Trump anteriormente.

O documento provocou reação do Palácio do Planalto. Lula defendeu publicamente o Pix e afirmou que “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”. Segundo o chefe do Executivo, a única medida a ser tomada pelo governo é o aprimoramento da ferramenta, “para que cada vez mais ela possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país”.

Após a declaração do presidente, suas redes sociais e os perfis oficiais do governo iniciaram uma campanha em defesa do método de pagamento, com a mensagem: “O Pix é do Brasil”.

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