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Mundo

De 25 de Março a etanol: veja outras reclamações dos EUA em relatório

Documento da Casa Branca aponta barreiras brasileiras em setores como audiovisual, etanol, propriedade intelectual e serviços digitais

01/04/2026 15:28, atualizado 01/04/2026 18:41
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Andrew Harnik/Getty Images
Presidente dos EUA, Donald Trump - Metrópoles

O governo dos Estados Unidos ampliou o leque de críticas ao Brasil em novo relatório divulgado nesta quarta-feira (1º/4). No documento, a Casa Branca lista uma série de reclamações que vão de tarifas sobre o etanol a regras para o setor audiovisual, apontando o que classifica como barreiras comerciais e medidas protecionistas adotadas pelo país.

Rua 25 de Março

Os EUA classificam a Rua 25 de Março, em São Paulo, como um dos “mercados físicos notórios” mais críticos do mundo para a violação de direitos de propriedade intelectual.

De acordo com o texto, a região é um centro persistente de distribuição de mercadorias falsificadas e pirataria, afetando diretamente empresas americanas de diversos setores, como vestuário, eletrônicos, luxo e entretenimento.

Acompanhado da crítica a uma das ruas mais emblemáticas do país, o relatório cita altos níveis de pirataria e demora na análise de patentes. Segundo o documento, o tempo médio de espera pode chegar a quase sete anos, afetando a segurança jurídica.

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Pessoas nas ruas de São Paulo
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Pessoas nas ruas de São Paulo

Fábio Vieira/Especial Metrópoles

Etanol

Outro ponto sensível envolve o etanol. O documento destaca a tarifa de importação de 18% aplicada pelo Brasil ao combustível norte-americano, enquanto o etanol brasileiro entra nos EUA com taxas mais baixas ou até nulas.

Para o governo estadunidense, a assimetria prejudica a competitividade de seus produtores.

Audiovisual

No campo audiovisual, as críticas se concentram nas políticas de incentivo à produção nacional. Os Estados Unidos questionam as cotas obrigatórias de exibição de conteúdo brasileiro em cinemas e na TV por assinatura, previstas na Lei nº 12.485/2011.
A legislação determina que canais exibam ao menos três horas e meia semanais de programação nacional no horário nobre e que um terço dos canais disponíveis seja brasileiro.

Além disso — sem citar nominalmente —, o relatório aponta “preocupação” com a atuação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela regulação do setor, citando possíveis dúvidas sobre a imparcialidade nas decisões.

Também são alvo de críticas as cobranças da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), que incidem sobre produções estrangeiras e serviços de streaming.

“Além disso, a lei delega significativa autoridade regulatória sobre programação e publicidade à agência nacional de desenvolvimento da indústria cinematográfica, o que levanta preocupações quanto à imparcialidade das decisões regulatórias. O Brasil também mantém cotas para filmes nacionais na exibição em cinemas e na distribuição em vídeo doméstico”, afirma o documento.

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Trump em discurso no Capitólio
Lula e Trump se encontram nesta quinta nos EUA
Donald Trump
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Lula e Trump se encontram nesta quinta nos EUA
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Lula e Trump se encontram nesta quinta nos EUA

Ricardo Stuckert/PR

Barreiras não tarifárias e restrições

Além das tarifas, o relatório aponta entraves administrativos e regulatórios. Segundo o documento, o Brasil “geralmente proíbe a importação de bens de consumo usados”, como automóveis, roupas e eletrônicos.

Também há críticas ao sistema de licenciamento de importações. De acordo com o texto, “a falta de transparência em torno desses procedimentos e as demoras na emissão de licenças criam entraves para certas exportações dos EUA”.

Pix

No campo dos serviços, os Estados Unidos citam barreiras à atuação de empresas estrangeiras. Bancos e seguradoras precisam de autorização prévia para operar no país, o que, segundo o relatório, limita a concorrência.

O documento também menciona o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil. Segundo o texto, há preocupação de que o modelo receba tratamento preferencial, o que poderia prejudicar empresas estrangeiras do setor.

Serviços digitais

As regras para o ambiente digital também entram na lista de reclamações. O relatório aponta que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) “restringe a transferência de dados pessoais para fora do Brasil” e que a implementação de mecanismos ainda gera incertezas para empresas.

Além disso, propostas de regulação de plataformas digitais podem impor obrigações mais rígidas a grandes companhias — muitas norte-americanas — e prever multas elevadas.

Meio ambiente

O relatório norte-americano indica ainda críticas de acordo com questões ambientais. Entre elas, a extração ilegal de madeira e a mineração irregular de ouro.

Segundo o documento, essas práticas podem prejudicar empresas que cumprem regras ambientais e distorcer a concorrência internacional, além de financiar atividades criminosas.

Trabalho e competitividade

Por fim, os Estados Unidos apontam preocupações com a legislação trabalhista brasileira. O relatório menciona dúvidas sobre a efetividade da aplicação das normas e destaca que o país não proíbe a importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Para os norte-americanos, esses fatores podem reduzir custos artificialmente e gerar vantagens competitivas indevidas no comércio internacional