Kremlin se manifesta sobre o que falta para um acordo com Zelensky
Segundo o porta-voz do Kremlin, Peskov, encontro entre Putin e Zelensky só deve ocorrer após Moscou e Kiev se alinharem
atualizado
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O Kremlin considera improvável, neste momento, a realização de um encontro entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pelo o menos até o fim de agosto. Segundo o declarado pelo porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, nesta sexta-feira (25/7), os rascunhos dos acordos apresentados por Moscou e Kiev são “diametralmente opostos”, impedindo qualquer avanço significativo no processo de paz.
“A reunião entre Putin e Zelensky permanece improvável por enquanto, visto que tal cúpula teria como objetivo formalizar um acordo sobre a Ucrânia. Uma etapa que exige um consenso prévio sobre os principais termos da resolução do conflito”, afirmou Peskov.
Segundo ele, ainda que haja pressão internacional por um cessar-fogo, a complexidade do conflito e a distância entre as propostas dos dois países tornam improvável uma solução no curto prazo.
O porta-voz ressaltou que as diferenças são significativas, e os rascunhos atuais não oferecem base sólida para um tratado duradouro — principalmente a curto prazo.
Terceira rodada de negociações
As falas de Peskov ocorrem poucos dias após à terceira rodada de negociações diretas entre Rússia e Ucrânia, realizada em Istambul, na Turquia. O encontro, que durou cerca de 40 minutos, teve foco técnico: troca de prisioneiros, repatriação de corpos e discussão de aspectos logísticos do conflito.
Participaram da reunião Vladimir Medinsky, conselheiro do Kremlin, e Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia. Ao fim do encontro, as partes concordaram em libertar cerca de 1.200 prisioneiros e iniciar o processo de devolução de mais de 3 mil corpos de soldados ucranianos.
A Ucrânia ainda não comentou oficialmente a proposta, mas o Kremlin afirmou ter percebido sinais positivos da delegação de Kiev.
Encontro dos líderes é condicionado a progresso
Mesmo diante desses pequenos avanços, o Kremlin reforçou que qualquer reunião de alto nível dependerá de avanços reais nas negociações. A proposta da Ucrânia de antecipar um encontro entre os presidentes foi criticada por Peskov, que afirmou que Kiev estaria “colocando a carroça na frente dos bois”.
“Todo o escopo do trabalho precisa ser concluído primeiro, e só então os líderes terão a oportunidade de formalizar os resultados alcançados”, disse.
















