Justiça da Itália encerra análise sobre extradição de Zambelli
Zambelli está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana, desde julho de 2025. Julgamento já foi adiado quatro vezes
atualizado
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A Justiça da Itália finalizou, quinta-feira (12/2), o julgamento que decidirá sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. A ação é julgada pela Corte de Apelação de Roma. A bolsonarista está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana, desde julho de 2025. Agora, o colegiado delibera sobre a decisão.
A Corte ouviu a defesa de Zambelli e o advogado escalado pela Advocacia-geral da União do Brasil, Alessandro Gentiloni. A Justiça italiana pode decidir pela extradição, não extradição ou pedir mais documentos para análise.
A defesa de Zambelli já adiantou que, caso a decisão da Corte seja pela extradição, será apresentado recurso junto à Corte de Cassação italiana (Corte Suprema di Cassazione), que é o tribunal de última instância na Itália.
Na última terça-feira (10/2), a mesma Corte negou o pedido da defesa de Zambelli para trocar os juízes que analisam o pedido de extradição. A defesa da ex-deputada alega “evidências de parcialidade” dos magistrados.
O julgamento de Zambelli já foi adiado pela Corte de Apelação de Roma quatro vezes. O Metrópoles apurou com advogados da ré que há pouca esperança de que o pedido de extradição seja negado. A defesa afirmou ainda que deve recorrer caso a decisão determine o retorno da ex-parlamentar ao Brasil.
Zambelli está detida em Roma após ser condenada em dois processos no Brasil, ambos com trânsito em julgado — ou seja, quando não cabe mais apresentação de recurso. São as seguintes penas e tipificações:
- 10 anos e 8 meses de prisão, como autora intelectual da invasão hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
- 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, pelo caso em que perseguiu um homem na rua e apontou uma arma para ele, pouco antes das eleições de 2022.
Pedido de extradição de Carla Zambelli
- A Corte de Apelação de Roma começou a avaliar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli nesta quarta-feira (11/2). A análise atende a um pedido do governo brasileiro depois que ex-parlamentar foi condenada por hackear o sistema do CNJ. O julgamento ocorre depois de ser adiado quatro vezes.
- Zambelli é condenada por dois crimes no Brasil, como autora intelectual da invasão do sistema do CNJ e por porte ilegal de arma.
- Desde julho de 2025, Zambelli cumpre detenção na Itália, também por pedido do governo brasileiro.
Zambelli na Itália
Depois da condenação relativa à invasão do sistema do CNJ, Zambelli se mudou para a Itália. Após a fuga do país, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a prisão preventiva da ex-parlamentar.
O pedido foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também determinou a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, usada para localizar e prender foragidos internacionais.
Em 29 de julho, Zambelli foi presa em um apartamento, em Roma. A prisão foi determinada pela Corte de Apelação de Roma, que apontou “grave risco de fuga” caso a parlamentar permanecesse em liberdade.
O governo brasileiro apresentou ainda pedido de extradição da brasileira à Justiça italiana, que analisa a solicitação.
Em dezembro de 2025, o STF anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou o pedido de cassação e manteve o mandato parlamentar de Zambelli. Em uma maneira de burlar a cassação, a ex-deputada renunciou ao mandato na Câmara.






