Israel x Hamas: trégua e liberação de reféns abrem nova fase da guerra
Israel e Hamas chegaram a um 1º acordo para frear o conflito temporariamente e permitir libertação de reféns a partir de amanhã

No 48º dia de guerra, a expectativa no Oriente Médio é pelo início do acordo negociado entre Israel e Hamas. Havia uma esperança de que a libertação dos reféns começasse já nesta quinta-feira (23/11), o que acabou frustrado por anúncio do Conselho Nacional de Segurança israelense. Mesmo assim, o processo, que é lento e passa pelos últimos acertos, dá início a um novo capítulo no conflito que assola a região.
O acordo costurado com apoio dos Estados Unidos (EUA), e que contou com a mediação do governo do Catar, negociou a libertação de 50 dos cerca de 240 reféns capturados pelo Hamas. Em troca, o lado israelense concordou em cessar-fogo temporário de quatro a cinco dias e a libertação de prisioneiros palestinos.
Embora o governo de Israel tenha garantido que a libertação dos reféns não ocorrerá antes da próxima sexta-feira (24/11), segue como incerto quando se dará o início do cessar-fogo temporário no conflito. A Al Jazeera reporta que há uma expectativa de que a trégua tenha início já nesta quinta, ainda que a mídia israelense indique o oposto.
As autoridades envolvidas nas negociações se debruçaram sobre os últimos detalhes do acordo. Nesse sentido, o governo de Israel publicou uma lista com os nomes de 300 prisioneiros, dos quais devem ser escolhidos 150 para serem “trocados” pelos reféns.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA mídia israelense, porém, informou que, até a noite de quarta (horário de Brasília), o Hamas não havia disponibilizado a lista de reféns que seriam liberados e que o tratado ainda não tinha a assinatura das partes.
Netanyahu reafirma guerra
Em coletiva de imprensa nessa quarta (22/11), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou que, após cumprido o cessar-fogo negociado com o Hamas, a guerra continuará. Segundo o líder, o conflito não terá fim enquanto não forem cumpridos os objetivos de destruir os extremistas, libertar todos os reféns e garantir que não haverá novos grupos que ameacem o país.
No discurso, Netanyahu afirmou que as condições para o acordo entre as duas partes do conflito foram criadas pela “pressão massiva” empreendida pelas Forças de Defesa de Israel (FDI), por meio de bombardeios e incursões terrestres, aliada à questão diplomática. “A combinação de esforços militares e políticos fizeram isso ser possível”, explicou.
Ele ainda classificou o acordo como a decisão correta a ser tomada. Vale lembrar que, nas últimas semanas, cresceu a pressão sobre Netanyahu quanto às ações pela libertação das pessoas capturadas pelo Hamas no último 7 de outubro. Um grupo de familiares e manifestantes, por exemplo, passou a protestar por medidas que visassem a libertação dos reféns.
O portal israelense Haaretz informou que, ao ser questionado durante a coletiva, Netanyahu não respondeu se o cessar-fogo acordado com o Hamas terá validade para as retaliações contra o Hezbollah. “Vamos examinar o que o Hezbollah faz e agiremos de acordo”, alegou.
Acordo
Após dias de expectativa, na madrugada dessa quarta (22/11), pelo horário local, o governo israelense anunciou ter firmado um acordo com o Hamas para a libertação de um grupo de 50 reféns. O acordo prevê que, em troca da libertação gradual de parte dos reféns capturados em Israel, o governo israelense liberte prisioneiros palestinos e promova pausa humanitária na Faixa de Gaza.
O acordo foi anunciado após série de reuniões governamentais na noite dessa terça (horário de Israel). Em meio às negociações pela libertação de reféns, o primeiro-ministro consultou o Gabinete de Guerra e o Gabinete de Segurança para tratar do assunto.
A proposta submetida às autoridades de Israel prevê que sejam soltos 30 menores de 18 anos e 20 mulheres, sendo que oito delas são mães.
Netanyahu observou, em coletiva nesta quarta, que o acordo estabelece que a Cruz Vermelha tenha acesso aos reféns que não estarão entre os que serão libertados e que forneça a eles atendimento médico. O Comité Internacional da Cruz Vermelha, porém, revelou não ter sido informado da medida, mas que agirá assim que acionado.
O acordo promoverá a primeira interrupção na guerra desde a escalada histórica ocorrida no último 7 de outubro. Na data, o Hamas empreendeu um ataque contra Israel, que resultou na morte de mais de 1,2 mil pessoas e levou capturados mais de 200 reféns. A ação resultou no óbito de três brasileiros que estavam na região.
Desde o ataque surpresa, o governo de Israel decretou guerra contra o Hamas e passou a promover bombardeios e incursões terrestres à Faixa de Gaza, região dominada pelo grupo. De acordo com informações do Ministério da Saúde de Gaza, o número de mortos passa dos 14 mil.
Reféns libertados
Até o momento, o Hamas libertou quatro reféns. Judith Tai Raanan e Natalie Shoshana Raanan, mãe e filha, respectivamente, foram as primeiras a receberem liberdade, em 20 de outubro. Ambas têm cidadania americana, e estavam em Israel para visitar um parente, quando acabaram capturadas.
Judith e Natalie foram entregues à Cruz Vermelha Internacional e, após isso, se encontraram com tropas de Israel. O Hamas informou, em um comunicado, que elas foram liberadas por motivos humanitários e para contrariar acusações do governo dos EUA.
Em 23 de outubro, o grupo libertou outras duas mulheres, de nacionalidade israelense, identificadas como Nurit Yitzhak, 79 anos, e Yochved Lifshitz, 85, e teriam sido liberadas pelo grupo também por razões humanitárias. Ambas saíram da Faixa de Gaza para o Egito.


















